domingo, fevereiro 04, 2018

Entre ruínas fumegantes e sombras ominosas, memórias crepusculares d'um país que já se foi - I

Alphonse van Worden - 1750 AD


Definitivamente alguma coisa se perdeu... se calhar em todo o planeta, mas com absoluta certeza em nosso país... algo de fundamental, algo de extraordinário, de assombroso, de transcendente, que se manifestava até mesmo em episódios e circunstâncias relativamente singelos. Os indícios e exemplos enxameiam, mencionemos um deles colhido hoje ao sabor do acaso. Leio numa crônica de Vinicius de Moraes que em 1942, por ocasião da passagem de Orson Welles pelo Brasil, o poeta brasileiro, desejoso de que o cineasta norte-americano travasse conhecimento com Limite (Mário Peixoto - 1931), após uma série de contratempos enfim conseguiu promover uma sessão da fita.

Pois bem: além, claro está, do maior cineasta de todos os tempos e d'um assaz respeitável homem de letras brasileiro, para essa exibição de um dos filmes mais enigmáticos e densamente poéticos da história da sétima arte estavam presentes, entre outros nomes menos ilustres, as seguintes figuras: a maior atriz da história do cinema (Renée Maria Falconetti); o melhor crítico literário e uma das inteligências mais fulgurantes que já andaram por este país (Otto Maria Carpeaux); um barítono inglês de fama internacional (Frederick Fuller).

Uma simples sessão de cinema... É, alguma coisa definitivamente se perdeu, não é possível...

2 comentários:

Maron & Gancz disse...

o ser humano acabou faz tempo, caro Worden. Hoje, na melhor das hipóteses, temos pessoas feitas com MDF. Acho que já entramos na era do compensado de compensado de ser humano

Alphonse van Worden disse...

Bem observado, meu bom homem, bem observado...

Em tempo: DINÂMICA DO BRUTO é um lindo nome.