domingo, abril 03, 2011

Manifesto BRUTALISTA







(..) Enquanto isso ao redor da praça... da praça... ah que que se foda o nome da praça, saco, me esqueci mesmo, vai encarar, ô cuzão?! Enfim... esse puta mundo merda ai, esse pais continental que não serve pra porra nenhuma, enfim, jogo de final de campeonato de futebol, fogos explodindo no céu, conclusão:

É SEMPRE O TIME ADVERSÁRIO QUE GANHA TODAS AS PARTIDAS NÃO IMPORTA PARA QUEM VOCÊ TORÇA!

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Evoé proibidões, pagodes, forrós, evoé putinhas de rodeio, evoé vegetais crentes, piranhetes emergentes, ‘senhoras respeitáveis’ e ‘cidadãos de bem’, sim, venham todos, TODOS, a PAZ MUNDIAL!, A PAZ UNIVERSAL!!!, as 'mulheres honestas'', ó amadas 'mulheres honestas'... nojentas e mesquinhas! Venham também, padres pedófilos freqüentadores de bares GLS

Venham todos
 O palco é vosso
 O teatro é vosso
 Também a platéia
 Vinde a mim!             

VENHAM AO VOSSO VERDADEIRO REINO

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"E eu, Tirésias, embora cego, contemplo a cena, e vaticino o restante": cerveja, TV ligada, narradores urrando, uivando, senhoras já de certa idade dando gritos histéricos, pré adolescentes enchendo a caveira de cerveja, outros dando um tapa na pantera, é a alegria do coletivo

É GOOOOOOOLLLLLLLLLLLLL!!!!!

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VOCÊ, sim você mesma que se considera boa mãe... mas que sabe que a sua querida filhinha falta seguidas vezes num ridículo cursinho de pagou-passou e que, quando vai, seu fedor à cerveja e suor e sêmem pode ser percebido à distância... sim, a senhora, que prega a solidariedade num culto de igreja, e nega aos que lhe estão mais próximos qualquer forma de auxílio... não tenha vergonha, venha... somos todos iguais! Assuma-se, celebre junto a mim, seus irmãos e irmãs, sua canalhice e hipocrisia

 POIS TEU É O REINO

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E vocês... sim vocês mesmos, seus merdas, vocês que estão escrevendo essa bosta, e que se acham grandes ‘intelequituais’, e que se sentem 'nobres' por denunciar a degradação da mundo moderno

 Vão tomar no olho do cu!

 Vocês são dois cagalhões, que trocariam de bom grado esse caralho de poeminha, ou seja lá como vocês chama isso, pela buceta sebenta de uma funkeira de morro, ah se não trocariam! Mas venham seus desgraçados do inferno, não se acanhem venham e contemplem sua grande obra!

 A VIDA É MUITO LONGA, A VIDA É, TEU É O REINO

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CHURRASCO DE LAJE SIM, E DAÍ?! PROGRAMA DE AUDITÓRIO SIM, E DAÍ?! SERTANEJO EVANGÉLICO SIM, E DAÍ?!

Tal como a humanidade estranha a si própria, essa cloaca de mundo que não mais se reconhece acaba! O que lhe parece mais importante: Uma guerra invisível, ou uma rua tão sombria onde bebês acabam morrendo!?

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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte – Deserto dos Tártaros


A propósito do caráter não-científico do marxismo - parte II

Alphonse van Worden - 1750 AD
















b) Objeto de estudo bem definido e de natureza empírica; delimitação e descrição objetiva e eficiente de realidade empiricamente observável, isto é, daquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou verificar por meio de métodos empíricos. 


Os objetos precípuos do marxismo - o 'Processo Histórico' e o 'Trabalho' - não podem ser de forma alguma definidos empiricamente, isto é, a partir da observação direta dos dados concretos fornecidos pela realidade; são, ao contrário, objetos socialmente construídos, cuja constituição decorre da subjetividade humana. Tampouco é possível uma descrição empírica de tais objetos, uma vez que sua consideração pressupõe a participação subjetiva do estudioso, que também participa da construção de tais objetos. O materialismo dialético é, em última instância, apenas uma manifestação particular do idealismo, já que confere um estatuto ontológico de realidade a um construto conceitual, a idéia de matéria. Marx, por conseguinte, ao formular o materialismo dialético, estabelece tão somente mais uma variante filosófica do idealismo, pois não há como escapar deste traço estrutural do materialismo, a saber, o de ser um epifenômeno do idealismo. Assim sendo, categorias exclusivamente conceituais como 'modo de produção', 'forças produtivas', 'luta de classes', etc. são tomadas como instâncias ontologicamente existentes. Em outras palavras: o marxismo fatalmente se insere no quadro das filosofias estéreis que acreditam na realidade de Universais. Ora, a crença na realidade ontológica dos Universais, que existem tão somente como construtos conceituais no processo de sistematização de conhecimentos adquiridos, arruína  qualquer possibilidade de elaboração de um método analítico-científico preciso e consistente.


c) Propósito de conhecer a realidade tal como ela se apresenta, procurando evitar a interferência de pressupostos ideológicos, valores, opiniões ou preconceitos do pesquisador.



Por mais que os marxistas pretendam ser observadores isentos da realidade que estudam, isto é refutado pelo próprio desígnio formulado por Marx como objetivo central de sua visão de mundo: "Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo", tal como lemos na décima primeira tese sobre Feuerbach (1845). Ou seja: a pretensão de transformar a realidade forçosamente implica a participação do sujeito cognoscente no processo, o que, como não poderia deixar de ser, envolve de maneira inescapável os valores ideológicos, preconceitos e opiniões do mesmo. Podemos mesmo afirmar que o marxismo não faz qualquer sentido se não for encarado como praxis transformadora do mundo, isto é, como guia revolucionário para a ação, talantes completamente avessos à natureza da atividade científica, que se dedica a elaborar uma representação racional do mundo.



d) Observação controlada dos fenômenos: preocupação em controlar a qualidade do dado e o processo utilizado para sua obtenção.


Como controlar a observação de fenômenos que transcendem o escopo de vida do observador? Como um pesquisador pode ter controle sobre algo como a 'luta de classes', que escapa a qualquer determinação espaço-temporal precisa e circunscrita ao âmbito do sujeito que a observa? Em suma: os fenômenos abordados pelo marxismo não podem ser verificados empiricamente, uma vez que escapam à própria natureza da observação sistemática, metódica e controlada dos fenômenos, para a formulação de enunciados científicos consistentes.

Significativa parcela dos marxistas comete grave erro, portanto, ao reivindicar para o marxismo a condição de teoria científica. O pensamento marxista é absolutamente brilhante como teoria política da ação revolucionária, como guia revolucionário para ação, mas sobremaneira precário como visão científica do mundo; ao postular, pois, tal estatuto, seus adeptos tão somente logram expor-lhe os flancos, abrir a guarda para seu aspecto mais frágil e problemático. há que se ressaltar, vale dizer, que um aspecto fundamental do marxismo é tolamente ignorado por seus teóricos 'oficiais': o marxismo não apenas como teoria, mas também como TEOLOGIA política, já que é mister salientar o caráter inequivocamente MESSIÂNICO inerente a todo processo revolucionário.

Na sequência deste ensaio, analisaremos com mais vagar as considerações acima esboçadas, com especial atenção a aspectos de índole epistemológica.