quarta-feira, fevereiro 13, 2008

In Memoriam IV

Alphonse van Worden - 1750 AD




Ó excelso mujahid Imad Mughniyah, indômito propugnáculo de AMIR UL-MOMINEEM, que para ti se descortinem os celestinos horizontes da Arcana Coelestia!!!





segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Tributo aos excelsos próceres da Pátria Sérvia!!!

Alphonse van Worden - 1750 AD













Боже правде, ти што спасе
од пропасти досад нас,
чуј и одсад наше гласе
и од сад нам буди спас.


Моћном руком води, брани
будућности српске брод,
Боже спаси, Боже храни,
српске земље, српски род!


Сложи српску браћу драгу
на свак дичан славан рад,
слога биће пораз врагу
а најјачи српству град.


Нек на српској блиста грани
братске слоге златан плод,
Боже спаси, Боже храни
српске земље, српски род!


Нек на српско ведро чело
твог не падне гнева гром
Благослови Србу село
поље, њиву, град и дом!


Кад наступе борбе дани
к’ победи му води ход
Боже спаси, Боже храни
српске земље, српски род!


Из мрачнога сину гроба
српске славе нови сјај
настало је ново доба
Нову срећу, Боже дај!


Отаџбину српску брани
пет вековне борбе плод
Боже спаси, Боже брани
моли ти се српски род!

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A propósito do papel da decisão individual no âmbito da História

Alphonse van Worden - 1750 AD






Ignorar a importância da decisão individual no bojo da História constitui um erro desafortunadamente usual entre certos marxistas; soem asseverar, com efeito, que o processo histórico forja-se tão somente no bojo de fenômenos coletivos em larga escala espaço-temporal. Todavia, se um determinado agente ocupa tal ou qual posição estratégica em função, é verdade, das lides d'um processo histórico coletivo, não é menos verdade que no momento preciso e infinitesimal de uma tomada de decisão as forças históricas que desencadearam o processo estão ausentes. O instante da decisão é, portanto, um ato de jaez essencialmente solitário e intransferível para o indivíduo que ocupa o local exato na hora exata; e mesmo nos casos em que o rumo a ser tomado está a cargo d'um colegiado, podemos afirmar que o grupo de homens responsáveis por aquela está no momento da decisão isolado das instâncias coletivas que porventura o engendraram; cabe falar, destarte, de uma sutil e complexa dialética coletiva/individual como força motriz da História. O processo histórico é, com efeito, um movimento de contínua retroalimentação dialética, onde as esferas individual e coletiva 'intercondicionam-se' mutuamente.

Não se pode, portanto, negar a existência patente da consciência individual, cujas opções podem sim aportar guinadas de rumo para o transcurso dos acontecimentos.há, por conseguinte, que admitir que a História não se processa somente por intermédio de processos coletivos de transformação, reconhecendo o caráter igualmente vital das decisões individuais dos agentes que ocupam posições chave em determinados momentos. Assim sendo, podemos, por exemplo, nos inquirir: o nazismo existiria sem Hitler? É bem provável que sim, mas assumiria uma conformação distinta, o que sem dúvida significa que teria outra trajetória; e isto vale para todo e qualquer evento histórico, que nunca pode ser reduzido a um fator monocausal, mas sim creditado a uma miríade de causas espaço-temporais.

O problema radica, pois, exatamente numa interpretação ultradeterminista do materialismo histórico, onde a subjetividade humana nada mais seria que um epifenômeno mecânico da articulação de forças materiais. Fica-se com a impressão, destarte, de que certos marxistas consideram o que se convencionou chamar de ‘processo histórico', que é uma abstração conceitual, como uma espécie de misteriosa entidade concreta e de caráter volitivo no espaço-tempo. . Tal concepção advém, como já tive oportunidade de aqui ressaltar, do facto de que o marxismo permanece inserido no quadro das filosofias que concedem estatuto de realidade concreta aos 'Universais', ou seja, que tomam representações conceituais como se impressões sensíveis fossem, para usarmos aqui uma terminologia de sabor humeano.

O que efetivamente acontece envolve, de facto, uma dialética deveras complexa e sutil... ocorre-me agora que o contexto onde ela se manifesta de forma mais cabal é no âmbito de uma batalha ou campanha militar. Suponhamos o Marechal X, comandante-geral das forças terrestres de Y, no átimo infinitesimal em que, debruçado sobre pilhas de mapas, gráficos e informes do front,deve decidir-se pelo deslocamento do grosso de seus efetivos para os pontos A e B, de modo a envolver o inimigo Z num movimento de pinça pelos flancos, ou para o ponto C, cortando as linhas de suprimento do inimigo e formando uma reserva estratégica, na expectativa de que Z tome a iniciativa, para só então desfechar um contra-ataque.

Pois muito bem: a meu juízo, a interferência do processo histórico multitudinário e anônimo, que eventualmente colocou X naquela posição naquele exato momento, é assaz irrelevante. Naquele instante preciso do espaço-tempo, a tomada de decisão será individual, refletindo as qualidades pessoais de X: sua inteligência, percepção, sensibilidade, formação técnica, cultura histórica e estratégica. Não há como, portanto, ignorar o vastíssimo acervo de decisões essencialmente solitárias embutidas em qualquer processo macro; outrossim, as probabilidades existentes no âmbito da análise combinatória de todas as decisões individuais envolvidas em qualquer processo macro certamente tende ao infinito, de modo que estabelecer um cálculo preciso seria sumamente difícil.

Examinemos agora um exemplo concreto, vale dizer, as dissensões políticas na URSS durante as décadas de 20 e 30. Caso Trotsky e Bukharin, a meu juízo os mais importantes líderes revolucionários soviéticos depois de Lenin, houvessem cometido, por exemplo, menos erros de avaliação tática do processo político no âmbito interno partidário, decerto teria sido possível vencer a facção staliana entre 1924-1928. O próprio Bukharin chegou a reconhecer, tragicamente tarde demais, que suas divergências programáticas com a esquerda trotsko-preobhazenskiana eram muito menos sérias que suas diferenças no tocante ao grupo de Stalin; outrossim, não teria sido impossível, por um lado, que Trotsky avaliasse com mais acuidade a real dimensão e importância da smychka campo/cidade para a viabilidade empírica ulterior do processo socialista soviético e, por outro, que Bukharin compreendesse melhor a relevância axial da democracia partidária para salvaguardar a revolução de intentonas termidorianas e/ou bonapartistas. Há, por conseguinte, que admitir que a História não se processa somente por intermédio de processos coletivos de transformação, reconhecendo o caráter igualmente vital das decisões individuais dos agentes que ocupam 'posições-chave' em determinados momentos fundamentais.

'Idealismo positivista', é o que de certeza diria certa estirpe de marxistas a respeito do que acima foi dito... e com isto incidiriam no mais irredutivelmente mecanicista dos materialismos; nada, diga-se de passagem, poderia estar mais próximo do idealismo que o materialismo hipertrofiado. O que fizemos, por conseguinte, foi raciocinar especulativamente a partir de hipóteses perfeitamente plausíveis, de opções que estiveram à mão dos agentes históricos que estamos aqui a considerar; e é de facto erro corriqueiro entre certos marxistas ignorar a importância de decisão individual no bojo da História. Não se pode, todavia, negar a existência patente da consciência individual, cujas opções podem aportar guinadas de rumo para o transcurso dos acontecimentos; além disso, o questionamento sobre o que poderia 'ter sido' possui também um aspecto dos mais oportunos: alertar-nos para os equívocos cometidos por nossos predecessores.

As questões adrede aludidas parecem-me ser, enfim, da maior importância importante para os marxistas, uma vez que as correntes liberais e conservadores costumam arrogar-se o primado da reflexão sobre o papel da decisão individual na História e demais processos humanos.

Jawohl, Tivol!




A sulfurosa garage hermétique do arquipélago do Sol Nascente é a matriz inconteste do que há de mais cauterizante em termos de full mode on mindmelting lysergic mindblowin’ avant cosmic rock’n’roll, certo? Hmmm... sim, pode-se dizer que sim... com efeito, não há muito como enfrentar a colossal fuzilaria dos obuses psicosônicos japoneses, o multidudinário arsenal de esmerilhação sonora dos AMT’s, High Rise’s, Mainliner’s e tutti quanti.

Não obstante, quiçá não seja de todo desarrazoado afirmar que, às plúmbeas margens do Báltico, sob a espectral refulgência do ‘Sol da meia-noite’ nas solitárias planícies de gelo, começa a emergir na Finlândia um cenário capaz de fazer frente à armada nipônica. Nomes como Pharoah Overlord, Avarus, Uton, Islaja, Es, Kiila, Dead Reptile Shrine, Anaksimandros e Kemialliset Ystavat indubitavelmente são capazes de conjurar os mais estratosféricos astrais do estraçalhamento psych, das opiáceas ondulações do acid drone folk à implacável devastação ultimate fuzz noise ear splitting destruction; e neste último mister, até agora ninguém logrou superar os páramos de brutalismo sonoro alcançados por um abstruso quarteto chamado Tivol.

Aparentemente na ativa desde 1995, a banda parece cultuar obsessivamente os arcanos da obscuridade: não possuem site próprio ou página no MySpace, e são identificados meramente por prenomes em seus álbuns (Askola, Ihanamäki, Kettunen e Nevalainen, sem maiores especificações ‘técnicas’). No último biênio, contudo, dois lançamentos internacionais brotaram das sombrias florestas finlandesas: Early Teeth (2005) e Interstellar Overbike (2006).

Compilado e remasterizado pela veneranda Holy Mountain a partir de dois CD-R’s (Cyclobean Ways e Breathtaking Sounds of Tivol) praticamente artesanais editados em 2002, Early Teeth é sem dúvida o que de melhor o Tivol produziu até agora, transfigurando, em grau máximo de desorientação hellraiser, a fusão entre desvario psych e hipnose kraut que os camaradas levam a efeito, algo como 'Mainliner meets Neu! in the unholy land of Cosmic Inferno', ou então Leif Eriksson, Loki, Volstagg e Surt, alucinados por doses elefantinas de hidromel, encenando o ragnarock psicodélico na espaçonave de Makoto Kawabata.

A banda abre os trabalhos em grande estilo com a sensacional Vihaan vitusti kaikkea mitä kulutusyhteiskunnan aikaansaama pinnallinen alkoholiin perustuva sosiaalinen käyttäytymiskulttuuri edustaa (melhor título de música 'EVÁÁÁÁÁÁÁÁ', PQP!!!), incontrolável maremoto magmático emergindo das espectrais cavernas do próprio Niflheim para entrar em combustão espontânea sob os titânicos golpes de um Mjolnir sônico. Há sobretudo que destacar os inacreditáveis vocais, que talvez possam ser vagamente descritos como um lancinante feixe de uivos agônicos eletronicamente distorcidos no limite da inextricabilidade sonora.

Prosseguimos então com Läskipäisyyden kultainen suihku, onde a banda tira o pé do acelerador para mergulhar num mefistofélico oceano de radiações eletromagnéticas, que se torna cada vez mais denso e claustrofóbico, até desaguar nas insondáveis profundezas de um abismo de microfonia terminal assombrado por imprecações banshee; a terceira faixa, Viha, kateus, katkeruus ja muut loistofiilikset, acena com um tênue reflexo de ‘normalidade’ hard psych em seu início, para logo dar ensejo, contudo, a uma tonitruante cavalgada elétrica dos blasfemos filhos de Muspell em direção ao derradeiro grimoire do alheamento transmental; Jawohl, Tivol!, por fim, traz a anarquia dos caras para uma galáxia garage punk envolta em espirais esquizóides de distorção purple haze.

Acautelai-vos, portanto, ó altaneiros samurais psych: a transpsicodélica frota viking está a caminho!!!





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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros