segunda-feira, julho 18, 2016

Götterdämmerung in Rio, or do you wanna Ragnarök with me, babe?



No curso de sua longeva e exitosa carreira, o saxofonista alemão Peter Brötzmann recebeu o epíteto de ‘iron lungs’. Trata-se, a meu juízo, de apodo dos mais injustos e inadequados. O ferro, como bem sabeis, oxida, enferruja, quebra; não é o caso de Brötzmann, que permanece inoxidável e inquebrantável do alto de seus veneráveis 75 anos de idade, mandando brasa em seus instrumentos de sopro com o mesmo vigor de um uruk-hai nas forjas de Isengard. Assim sendo, doravante passarei a chamá-lo de Peter 'ADAMANTIUM LUNGS' Brötzmann.

Na apresentação de ontem à noite no agradabilíssimo estúdio Audio Rebel (Botafogo - Rio de Janeiro), o público presente pôde constatar que permanecem intactos os poderes do ciclope germânico como magnetizador do fogo dos deuses; grão-mestre da sustained sonic obliteration; monstrorum artifex da matéria sonora em combustão espontânea; não é preciso, pois, recorrer a artifícios condescendentes como 'lenda viva' ou outras asneiras do mesmo naipe para apreciar o cidadão. De resto, vale sempre frisar que o negócio aqui não é roquinho mequetrefe-geriátrico ou jazzinho emasculado de sala de espera de consultório médico não, putada... É, pelo contrário, uma verdadeira FORÇA DA NATUREZA.

Pois em verdade vos digo, meus filhos: o que tivemos hoje no outrora aristocrático, mas ainda excelso bairro da zona sul carioca, foi Sturm und Drang de primeiríssima ordem. Brötzmann, claro está, dispensa maiores considerações: é um monólito titânico e incomparável de fúria, paixão, caos e lirismo, ionizando a atmosfera com seus leads e solos flamejantes; ou, em outras palavras: é como se as esquadrilhas de Ju 87, Heinkel He 111, Dornier Do 17 e outras valquírias de aço da Legion Condor se amalgamassem num só homem para pulverizar a Guernica das convenções estéticas habituais do jazz.

E a seção rítmica que com ele forma o trio Full Blast também é avassaladora: o baixo pesadíssimo, hiper-saturado e explodindo em tonitruantes frequências graves de Marino Pliakas inequivocamente pertence à ínclita linhagem de figuras como Brian Gibson, Alain Ballaud, Bernard Paganotti e outras deidades lovecraftianas em forma de músico, capazes de transformar as quatro cordas em legítimas armas de destruição em massa; o baterista Michael Wertmüller, por seu turno, com suas viradas à velocidade da luz e explosões concentradas de fuzilaria percussiva, é uma divisão Panzer entrando de sola no gueto de Varsóvia no mais puro estilo none will survive / take no prisoners full mode ON.
Enfim, caríssimos: um evento inolvidável, arrebatador, emocionante, transcendente. Quem viu, viu; e quem não viu, que vá chorar na cama que é lugar quente.

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Ten. Giovanni Drogo 

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

terça-feira, julho 05, 2016

Dubadelic: considering Time as officially...ended...

Alphonse van Worden - 1750 AD




The cross was a mushroom... and the mushroom was also the Tree of Good and Evil... the philosophical stone of the alchemists was LSD... the Book of the Dead is a trip... the Holy Trinity begins with an opium poppy... and the gnostic gospels describe a mescaline experience... 

The whole Universe is nothing but... a superstition... and every reality is... only an opinion, which turns out be... the high point of nothingness dissolved at the inner void of the SACRED...

The Blessed SOUND of... NOTHING... being dissolved in a swirling, ever evolvin' and never stoppin' neverness of... mystic SOUND...

Yeah, man, you need that bad... fuck all the frequencies, blur all the images, pump up the brain machine, melt your synapses, blow your mind and... turn on, tune in, drop out...

No, this is not the beggining, but only... the END...?

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Enfim, caríssimos confrades... sabem o momento exato em que o reggae deixa de ser reggae , abandonando voz, melodia, sopros e outros instrumentos melódicos para concentrar-se tão somente na hipnose gerada pela sagrada aliança baixo/bateria, multiplicada ad infinitum em progressão geométrica por sucessivos e cumulativos efeitos de eco, que ricocheteiam uns contra os outros em tonitruante crush collision , reverberam sobre si mesmos e voltam a reproduzir-se indefinidamente em crescente atmosfera de desorientação sônica, gerando novas galáxias turbilhonantes de hipnose rítmica? Acrescente-se a isso samples alienígenas, efeitos eletrônicos estratosféricos e uma atmosfera de caos alucinógeno e o resultado é DUBADELIC. Take it at your own risk, folks, you've been advised
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