quinta-feira, agosto 06, 2009

Bravo, Mahmoud Ahmadinejad!!! - III






Mahmoud Ahmadinejad a prêté serment devant le parlement iranien et le Coran sacré

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Téhéran.Irna. 05 Juillet 2009.
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Le président de la République Islamique d’Iran a prêté serment mercredi matin devant le parlement iranien pour un second mandat de quatre ans en présence du chef du pouvoir judiciaire et des membres du corps des Gardiens de la constitution.

Selon notre correspondant au parlement iranien, le chef de l’Etat a prêté serment devant le Coran et devant Dieu le très miséricordieux et le peuple iranien s’engageant à être le gardien de la religion officielle iranienne, du système de la République Islamique d’Iran et de la constitution du pays, de la développement de la morale, le défenseur de la justice, de la liberté et du respect des personnes et à faire respecter les droits que la constitution octroie à la nation iranienne ainsi qu’à mettre toutes ses aptitudes au service du peuple iranien et à répondre aux responsabilités qui lui incombe.

"Au nom de Dieu le très miséricordieux, moi, en tant que président de la République Islamique d'Iran, jure devant le Coran sacré, la nation iranienne et Dieu d'être le gardien de la religion officielle, de la République islamique et de la constitution", a-t-il déclaré lors de la cérémonie.

Mahmoud Ahmadinejad a promis que ce nouveau mandat de quatre ans serait «le début de changements importants en Iran et dans le monde».

«L'épopée de l'élection présidentielle du 12 juin est le début de changements importants en Iran et dans le monde». C'est avec ces mots que le président iranien a prêté serment mercredi, devant le Parlement.

"Nous résisterons face aux pays oppresseurs et nous allons continuer à agir pour changer les mécanismes discriminatoires dans le monde, au bénéfice de toutes les nations", a ajouté Mahmoud Ahmadinejad.

"Les pays occidentaux ont dit qu'ils reconnaissent les élections en Iran mais qu'ils n'enverraient pas de message de félicitations. Cela signifie qu'ils veulent la démocratie seulement pour leurs propres intérêts et ne respectent pas les droits des peuples", a-t-il estimé."Sachez qu'en Iran, personne n'attend vos messages de félicitations", a conclu le chef d’Etat iranien.

Mahmoud Ahmadinejad dispose désormais de deux semaines pour soumettre son gouvernement au parlement iranien en vue d'obtenir un vote de confiance.

Le président iranien a été confirmé dans ses fonctions lundi par le guide suprême, l'ayatollah Ali Khamenei.




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Parabéns ao grande presidente Mahmoud Ahmadinejad, que, reeleito pela esmagadora maioria do eleitorado iraniano, foi empossado ontem, em cerimônia no Majlis, para mais um mandato de 4 anos. Sob a égide da sábia liderança do Ayatullhah Khamenei, temos plena confiança, diletos irmãos d'armas, de que o governo Ahmadinejad continuará na vanguarda da luta antiimperialista contra os EUA e seus sequazes sionistas.


VIVA A REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃ!!!



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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

sábado, agosto 01, 2009

Notas de reflexão crítica XXI - a propósito da distinção central entre as cosmovisões OCIDENTAL e ORIENTAL

Alphonse van Worden - 1750 AD





- A distinção entre as visões de mundo OCIDENTAL e ORIENTAL consiste essencialmente da relação que ambas estabelecem a respeito do 'Problema do EU': o ethos ocidental caracteriza-se pela centralidade existencial do EU como sujeito agente e cognoscente, mesmo que, no plano das perspectivas transcendentes, à luz da inspiração e da inteligência divinas. Já nas metafísicas não-dualistas do Oriente, a própria existência material (o que obviamente inclui os indivíduos) é descrita como ilusão, e o objetivo precípuo da realização espiritual é o ‘esquecimento absoluto de si mesmo’ e a fusão no TODO.

- A tradicional distinção entre CONHECIMENTO e SABEDORIA já sublinha alguns aspectos dessa cisão oriente / ocidente, mas não esgota a questão. Vejamos: o mainstream, digamos assim, em termos de teoria do conhecimento na filosofia ocidental, contempla basicamente duas modalidades de cognição humana:


a) o conhecimento adquirido através da EXPERIÊNCIA, posteriormente sistematizado via generalização indutiva; é a forma de cognição que gera os enunciados sintéticos (ou apofânticos), ou seja, aqueles enunciados que afirmam ou negam alguma coisa sobre a realidade sensível, tal como as proposições científicas. Sua validade é determinada, pois, por intermédio de verificação empírica;

b) o conhecimento de conceitos abstratos via dedução racional. É essencialmente a modalidade de conhecimento que gera os enunciados analíticos, de índole tautológica (isto é, proposições verdadeiras por definição, cujo sentido permanece o mesmo sob diferentes arranjos de palavras ou símbolos). É, portanto, o conhecimento que corresponde ao universo lógico-matemático, cuja veracidade das proposições prescinde de verificação empírica.


- Outras 'formas' de conhecimento, claro está, foram abordadas por diversos autores através dos tempos: Aristóteles, por exemplo, afirma que a catarse trágica é uma experiência cognitiva; Spinoza sustenta que as paixões humanas também geram conhecimento; Bergson, por seu turno, que o ‘verdadeiro’ conhecimento surge a partir da ‘apreensão imediata do objeto’, vale dizer, do que irá denominar como ‘intuição do Absoluto’ de cada objeto, ou seja, do que ele possui de ‘único’, e que lhe é absolutamente intrínseco; e por aí vai, com 'n' outras perspectivas.

- Muito bem: no âmbito de uma cosmovisão transcendente, contudo, há algo que está além do conhecimento proporcionado pelo exercício da razão, bem como da cognição gerada por meio da experiência sensível; é, portanto, uma dimensão inalcançável tanto através da razão humana, quanto por intermédio de nossa experiência concreta. Trata-se exatamente da SABEDORIA, ou seja, daquilo que está além do intelecto e dos sentidos, é que só pode ser atingido sob os auspícios da inteligência divina; ou, em outras palavras, através da razão humana iluminada pela inspirada por Deus.

- Por outro lado, a leitura de QUALQUER texto-chave no âmbito das grandes tradições de índole não-dualista revela, de forma inequívoca e incontrastável, que o processo de 'realização espiritual' tem como meta derradeira a dissolução do EGO, que nada mais é que um feixe de ilusões, no UNO, que constitui a única e verdadeira REALIDADE.

- Considerem, por exemplo, o notável poema alegórico O Colóquio dos Pássaros (1177), de autoria do persa Farid al-Din Attar, e que é uma das obras clássicas da Irfan ('Sabedoria', 'Gnose') xiita, que é precisamente a tradição esotérica em que o ínclito Ayatullah Ruhollah Khomeini está inserido. O enredo é bem resumido pelo escritor Jorge Luis Borges:


O remoto rei dos pássaros, o Simurg, deixa cair no Centro da China uma esplêndida pluma; os pássaros resolvem buscá-lo, fartos de sua antiga anarquia. (...); sabem que seu castelo está em Kaf, a montanha circular que rodeia a Terra. Acometem a infinita aventura: transpõem sete vales, ou mares; o nome do penúltimo é 'Vertigem'; o último se chama 'Aniquilamento'. Muitos peregrinos desertam; outros perecem. Trinta, purificados pelos trabalhos, pisam a montanha do Simurg. Contemplam-no, finalmente; e percebem que eles são o Simurg, e que o Simurg é cada um deles e todos."


- Reparem: a transposição de cada Vale constitui uma etapa no processo de depuração / purificação do espírito; e o último Vale, o do 'Aniquilamento', é justamente o ápice de tal processo, quando ocorre o derradeiro e definitivo esquecimento de si mesmo ou, em outras palavras, a obliteração final de todas as ilusões do EGO. E enfim, quando já de todo despojados de sua consciência individual (que nada mais é, em última instância, que o somatório de seus enganos), os 30 pássaros que lograram 'realizar-se espiritualmente' enfim descobrem que o Simurg (ou seja, o TODO, o UNO) "é CADA um deles e TODOS" e, analogamente, que cada um deles verdadeiramente não EXISTE (no sentido mais recôndito do termo) como 'parte', mas sim como TOTALIDADE.

- Trata-se, enfim, recuperando aqui uma bonita metáfora de Attar, um "perder-se de si mesmo" completa e definitivamente. É a consciência absoluta da UNIDADE, algo que de certo modo podemos até 'representar' conceitualmente, mas não propriamente 'CONHECER', e sim 'SABER', como experiência visceral, incomunicável e intransferível.

- Eis, portanto, para o esoterismo xiita (bem como para as doutrinas metafísicas não-dualistas do Vedanta, por exemplo), o que seria a essência da SABEDORIA: "perder-se de si mesmo" em caráter absoluto e definitivo, para então se dissolver na UNIDADE SUPREMA, na TOTALIDADE UNIVERSAL.





Breve nota a propósito de sir Alfred Joseph Hitchcock





Malgrado sejam afirmações de todo procedentes, asseverar que Alfred Hitchcock é um ‘mestre do suspense’, ou que possui uma habilidade ímpar em manipular com acuidade cirúrgica os mais recônditos desvãos da psique do espectador, seria simplesmente, como reza o velho adágio popular, “chover no molhado”; assim sendo, gostaria de ressaltar aqui outro aspecto, igualmente fundamental, na obra do cineasta inglês.

Jean-Luc Godard certa feita escreveu, quando ainda era crítico da Cahiers du Cinema, que Alfred Hitchcock era “o mais alemão dos cineastas ocidentais”. Trata-se, vale dizer, d’um juízo sobremaneira críptico, ao menos à partida (estaria o diretor francês ironicamente afirmando, se calhar, que tão somente o cinema anglo-americano poderia ser tido como ‘ocidental’? Apenas conjecturo, todavia).


Não obstante, há na observação godardiana um dado deveras significativo, ainda que relativamente pouco mencionado, quando se fala a propósito de Hitchcock: caudatário das melhores tradições do cinema expressionista alemão, o opus hitchcockiano (sobretudo em se tratando de seus filmes em P&B) é uma verdadeira aula magna em termos de requinte formal e elegância estrutural: seus planos são virtuosos, plenos de geométrica exatidão; os enquadramentos, muito embora dotados d’um rigor milimétrico, não raro assombram o público com angulações inusitadas e vertiginosas (como esquecer, por exemplo, a assombrosa seqüência do assassinato no parque de diversões em Strangers on a Train (1951)?); a montagem, vero relógio atômico em termos de precisão, ajusta-se com inacreditável perfeição às exigências da narrativa; o espectral chiaroscuro da fotografia de suas fitas em P&B, logra evocar a ominosa fantasmagoria dos melhores momentos de um Murnau; a câmara, por fim, como se fosse o finíssimo estilo de bambu nas mãos de um calígrafo nipônico, esparge na tela silhuetas, texturas e matizes de refinada fatura.

Celebremos, pois, a figura de Alfred Hitchcock, esse “pintor de pesadelos vivos” (apud Michael Löwy, a respeito de Kafka), criador genial tanto na arte de suscitar no público seus temores mais abissais, quanto no exercício do cinema como veículo de transcendência estética.

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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros