domingo, novembro 04, 2012

O Retorno dos Heróis
















*Após breve interlúdio provocado por motivos de índole existencial, esfera a que não são infensos mesmo os mais áticos mavortes, eis-nos de retorno à liça com um supino fruto do estro poético do crepuscular Ten. Drogo; são versos que, de certo modo, refletem o que se nos ocorreu neste último bimestre.

No que tange ao garboso Cap. Van Worden, logo publicaremos cá mais um irreprochável ensaio de sua lavra.

Saudações gibelinas!

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O Retorno dos Heróis 


Pressentiu, entreviu, vislumbrou ou entressonhou
Eflúvios miasmáticos, memórias estilhaçadas,
Reflexos esquecidos. Mais adiante, além da atroz
Voragem dos Kalpas, bússola alguma lograria guiá-lo.
Deveria, pois, prosseguir, para além das terras sombrias,
Dos rochedos fraturados, da turva lembrança.

Debruçando-se no mito e mística de páramos olvidados,
Que habita nos abismos lacrados pelos arcanjos,
Esconde-se à frente dos reflexos crepusculares,
E naufraga no oceano transfinito do Encoberto?
Seriam os reinos perdidos nas guerras ancestrais,
Sob a égide da Cruz e da Espada, em batalhas colossais?

A incerteza é soberana, a alma hesita,
Mas o coração do Peregrino permanece calmo,
Entre a revelação e a epifania ansiada:
Desta hostil montanha já não pode retornar,
Há que o vale dos presságios soturnos atravessar,
Em meio a miríades de sussurros nas trevas.

Rufar de tambores, legiões triunfais
Marchando para círculos de runas,
Enquanto, de pé entre as ruínas,
Recordou-se o Peregrino de que estava sozinho.
Voz humana decerto não havia:
Estava só, inenarravelmente só.

 A caminho do Exílio Interior refletiu sobre o Ser,
A necessidade de humilhar o intelecto:
Por quantos incandescentes orcos 'inda teria de vagar!
'A sanidade mental é para os fracos', repetia,
A meditar estranhas quimeras, sonhos proféticos, no afã de entender
O que houve com tantos confrades, que hoje vagam por terras desertas.

Somente o silencio o acompanhava neste périplo,
Noite escura da alma fitando com olhos austeros o Peregrino,
Ambos cientes de que não falariam,
Sequer um olhar esboçariam,
Perante o horror cósmico que se vislumbra adiante,
De Kali-Yuga tétrico tropel de desditas.
Por isso, Noite solene, sois tão necessária nesta empresa,
Único alento nessas paragens astrosas.

Mas aquele que emerge do Fogo sem luz
Oriundo da terra morta, e assim sublimado,
Retomará, infrene, o pavilhão do Avatar Sagrado,
Pois o Retorno dos Heróis está próximo!
A Garra do Lobo a tremular nos estandartes!
Assim se forjarão o aço e o Sol Negro intimorato!
Rememorando tempos de glórias, aguardando a ordem final,
A sagração do Terrível Destino!



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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros