segunda-feira, dezembro 31, 2007

Epistolário Transfinito III (excertos...)

Alphonse van Worden - 1750 AD



























(...) e eis então, ó famígero confrade Drogo, qu'ogano hoje se colma! Tão memoroso quanto seu pervinco antecessor decerto não foi, é mister assinalar, mas nocentes seríamos caso olvidássemos as palmas logradas. À partida há que celebrar ditoso evento, já no apagar das luzes da presente elipse solar transcorrido: o auspicioso, veramente fádico, sicariato da oprobiosa vulgívaga de Karachi, sob a venturosa égide do ingente Sustentador de Mundos indubitavelmente sucedido; destarte, que seu anojoso espírito padeça, sob o do fero Iblis horrípilo azorrague, toda a metuenda plêiade de flagícios nos flamantes mármores de Jahannam existentes! Igualmente muliado seria, com efeito, que não nos regozjássemos com as eviternas demonstrações de nobreza, galhardia e imorredoura obstinação de nossos longânimes irmãos persas, bem como de nossos formidandos fraters da conspícua 'Terra entre 2 Rios', que das perenes colunas de Pasárgada às airosas colinas de Salah al Din, pertinacíssimos prosseguem no titânico gládio contra as terrulentas pravidades do obnóxio SATÃ; do CHRISTUS PANTOCRATOR e de علي بن أبي طالب - que tudo veem sem vistos serem -, portanto, fomos, somos e inexoravelmente seremos o incerne aríete, pois sob Seu sempiterno arnês fulgurantes estivemos, estamos e estaremos, a matar e a morrer em júbilo empenhados!


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(...) à vítrea resplendência dos fantasmáticos contrafortes do Bastiani, ó excelso armífero van Worden, contritos a velar e vigiar, na ínclita fé dos Eleitos irmanados, porfiaremos até o Tempo do Fim do Tempo, visto sabermos que na insondável teleologia do egrégio Custódio da Arcana Coelestia, se na Eternidade vicejamos, é no Século que pelejamos; dessarte, emérito condottiere da audaz Guarda Valona, em nossa deífica missão jamais esmorecemos, nossas hostes sempre diligentes na supina faina da Celestial Contenda, jolizes sob a égide do almo Condestável da Guerra Cósmica!


Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

sábado, dezembro 15, 2007

20 anos de TRIUNFOS e GLÓRIAS!!!

Alphonse van Worden - 1750 AD








Ó impertérrito Criador e Sustentador de Mundor, ínclito e divo Custódio da Fé dos Eleitos, alvíssaras!!! Há 20 anos aspergiste o rutilante aljôfar da Sabedoria Divina sobre a ummah palestina, e na sempiterna terra de Gaza então emergiu o mirífico Harakat al-Muqawama al-Islamiyya, a abençoada Resistência Islãmica, que a todos nós instrui, edifica, sublima e exalta com seu perene exemplo de coragem, fé, dignidade e persistência!


Allahu Akbar...Allahu Akbar...Allahu Akbar!!!

Louvor eterno à Resistência Islâmica!!!




sábado, dezembro 01, 2007

Nazismo & Sionismo: os 'Grandes Irmãos'




No que é um capítulo lamentável, mas sintomaticamente pouco conhecido, da História contemporânea, a ideologia sionista recebeu entusiástico apoio do regime hitlerista, uma vez que efetivamente representava uma 'solução' para o 'problema judeu': o acordo de transferência promovendo a emigração de judeus alemães para a Palestina, implementado em 1933 e abandonado tão somente por ocasião da II Guerra Mundial, é um patente, inequívoco e ESCABROSO exemplo da estreita colaboração entre lideranças sionistas e o regime nazista. Por intermédio de tal acordo, que estabeleceu uma rede de campos de treinamento para colonos judeus em toda a Alemanha, de modo a prepará-los para a 'terra prometida', o Terceiro Reich fez mais pela causa sionista que qualquer outro governo na época; afinal de contas, tanto nazistas quanto sionistas acalentavam um grande objetivo em comum: a criação de um Estado sionista, um gigantesco 'gueto' como solução para o 'problema judaico'.

De resto, os sionistas não estavam preocupados com a salvação das vidas judaicas, mas somente com a criação de um Estado judeu na Palestina. Em 7 de dezembro de 1938, Ben Gurion, que anos depois seria o primeiro Chefe de Estado sionista, declarou o seguinte: "se me fosse dado escolher entre salvar todas as crianças judias na Alemanha levando-as para a Inglaterra, e apenas metade delas conduzido-as para o Eretz Israel, eu escolheria a segunda opção, pois temos de levar em consideração não apenas as vidas dessas crianças, mas também a História do povo de Israel" (Yvon Gelbner, Zionist policy and the fate of European Jewry, Yad Vashem studies).

Eis, portanto, o nobre pensamento do maior dos próceres sionistas: às favas com a vida das crianças judias, o que importa é a 'História' do povo judeu, leia-se, o projeto político sionista!

Aliás, o próprio fundador da moderna ideologia sionista, Theodor Herzl (1860-1904), acreditava que o anti-semitismo europeu era um grande aliado para a causa sionista, tal como podemos ler numa estarrecedora passagem de seus "Diários": "os anti-semitas serão nossos amigos mais fiéis, e os Estados anti-semitas nossos mais firmes aliados" (Theodore Herzls Zionistische Schriften, Leon Kellner, ed. Ester Teil, Berlin: Judischer Verlag, 1920, p. 190). Profético, não é mesmo...? Há que frisar, aliás, que Herzl era 'useiro e vezeiro' na oprobriosa arte de acumpliciar-se com os mais acerbos inimigos de seu povo: em 1903, por exemplo, obteve de Vyacheslav von Plehve, ministro do interior do Império Russo entre 1902 / 1904 e notório promotor de pogroms anti-semitas , a promessa de "apoio material e moral na medida em que certas de suas medidas práticas sirvam para diminuir a população judia na Rússia”(Le sionisme, étude de droit international public, Paris, Jouve, 1920, p. 399 ss).

Herzl, vale dizer, era muito admirado pelo célebre Adolf Eichmann, ele mesmo, o luciferino coordenador da 'Solução Final'. Durante os primeiros anos do regime nacional-socialista, ainda na década de 30, Hitler encarregou Eichmann de administrar a questão judaica. Após a leitura de Der Judenstaat, de Theodore Herzl, e de "História do Sionismo", de Josef Böhm, Eichmann passou a simpatizar com a causa dos sionistas, a qual considerava 'idealista'.

Na década de 30, quando ainda não se cogitava o extermínio físico dos judeus, o governo hitlerista adotou a tática da “desassimilação” cultural, acentuando a identidade religiosa dos judeus que viviam sob seu domínio. Robert Weltsch, editor-chefe do jornal sionista Jüdische Rundschau, publicação voltada para a comunidade judaica, exortava entusiasticamente seus leitores: “Use-a com orgulho, a Estrela Amarela!”.

A etapa subseqüente ao processo de “desassimilação” foi a transferência de contingentes significativos de judeus para a Palestina. Rudolf Kastner, outro desses 'nobres paladinos' sionistas, foi, de facto, quem negociou pessoalmente com Eichmann a deportação dos judeus da Hungria para a Palestina. Os trens eram vigiados pelas SS, para garantir que os deportados chegassem em segurança a seu 'novo lar'.
Enquanto isso, o regime nazista continuava a destinar generosos recursos para entidades sionistas. Entre 1935 e 1936, já no âmbito das primeiras deportações de judeus, as organizações sionistas de captação de recursos receberam três vezes mais dinheiro do que no biênio 1931/32, período imediatamente anterior à ascensão do regime nazi. Vale também sublinhar que a circulação do semanário sionista de Robert Weltsch subiu de algo entre cinco e sete mil para aproximadamente 40 mil exemplares.

Por fim, é também mister ressaltar que a cooperação entre nazistas e sionistas sobreviveu inclusive à eclosão II Guerra Mundial. Em janeiro de 1941, uma organização de extremistas sionistas - a 'Organização Militar Nacional' (Irgun Zvai Leumi), também conhecido como Lehi ou 'Grupo de Stern', em homenagem a seu fundador Avraham Stern - propôs a diplomatas alemães em Beirute uma aliança político-militar. Eis aqui os termos mais importantes de tal documento:


The NMO which is very familiar with the goodwill of the German Reich government and its officials towards Zionist activities within Germany and the Zionist emigration program takes the view that: 1.Common interests can exist between a European New Order based on the German concept and the true national aspirations of the Jewish people as embodied by the NMO. 2.Cooperation is possible between the New Germany and a renewed, folkish-national Jewry. 3.The establishment of the Jewish state on a national and totalitarian basis, and bound by treaty, with the German Reich, would be in the interest of maintaining and strengthening the future German position of power in the Near East.

On the basis of these considerations, and upon the condition that the German Reich government recognize the national aspirations of the Israel Freedom Movement mentioned above, the NMO in Palestine offers to actively take part in the war on the side of Germany.

This offer by the NMO could include military, political and informational activity within Palestine and, after certain organizational measures, outside as well. Along with this the "Jewish" men of Europe would be militarily trained and organized in military units under the leadership and command of the NMO. They would take part in combat operations for the purpose of conquering Palestine, should such a front be formed.

The indirect participation of the Israel Freedom Movement in the New Order of Europe, already in the preparatory stage, combined with a positive-radical solution of the European-Jewish problem on the basis of the national aspirations of the Jewish people mentioned above, would greatly strengthen the moral foundation of the New Order in the eyes of all humanity.

The cooperation of the Israel Freedom Movement would also be consistent with a recent speech by the German Reich Chancellor, in which Hitler stressed that he would utilize any combination and coalition in order to isolate and defeat England.


(in: David Yisraeli, The Palestinian Problem in German Politics 1889-1945 , Israel, 1947, pp. 315-317)


Vale ainda sublinhar que entre os anos de 1943 e 1948, tal organização foi dirigida por ninguém mais ninguém menos que Menachen Begin, futuro primeiro-ministro de Israel entre 1977 e 1983. Ou seja: um dos principais líderes políticos da História do Estado sionista colaborou DIRETAMENTE com o regime nazista durante a II Guerra Mundial. Difícil imaginar, creio eu, coisa mais sórdida e obscena.

No que concerne à questão dos marxistas judeus que eventualmente flertaram, em algum momento de sua trajetória política, com o sionismo, e que por vezes serve de duvidoso álibi para o horror sionista em certos setores da esquerda, é mister salientar o seguinte: o movimento 'real' jamais refletiu as concepções de tais pensadores, de figuras como, por exemplo, o teórico e militante trotskista belga Abraham Leon (autor de uma obra célebre, A Questão Judaica: uma interpretação marxista), mas sim o autoritarismo genocida, racista, terrorista e imperialista do Irgun Zvai Leumi, do Palmach, do Mossad, do Shin Bet, de figuras deletérias como Ben Gurion (aquele mesmo crápula que não se importava com a sorte de idosos e crianças judaicos, desde que seu projeto político fosse levado à frente), Golda Meir, Menachem Beguin, Moshe Dayan, Yitzhak Shamir, Ariel Sharon, Benjamin Netanyahu e outros odiosos carniceiros e assassinos. Infelizmente, portanto, assim como o socialismo efetivamente existente jamais correspondeu às idéias de Trotsky, Rosa Luxemburg ou Nikolay Bukharin, o sionismo REAL nunca teve a face de Abraham Leon (que aliás romperia com o movimento em 1940) ou Isaac Deutscher, mas sim a ominosa efígie dos criminosos de guerra acima referidos.

Vale lembrar, por fim, que os tão condenados atos de 'barbárie' atribuídos a movimentos como o HAMAS e a JIHAD ISLÂMICA foram cometidos em primeiro lugar na região por grupos sionistas; haja visto, por exemplo, o massacre da aldeia de Deir Yassin, no subúrbio ocidental de Jerusalém, quando a 9 de abril de 1948, 254 mulheres, crianças e idosos árabes foram assassinados no local por militantes do Irgun e do Palmach, então liderados pelos futuros primeiros-ministros israelenses Menachem Beguin e Yitzhak Shamir; ou então o ataque, promovido pelo Irgun, contra o King David Hotel em Jerusalem, o QG das forças de ocupação britânica na Palestina,
em 22 de julho de 1946, com 92 vítimas fatais. Destarte, os que condenam o terrorismo palestino veladamente celebram a prática dos mesmíssimos atos por parte dos Eua e de seu criado sionista... vejam, aliás, que curiosa inversão de causa/conseqüência: o terrorismo estatal sionista, que desde 1948, com notável e fervoroso apoio estadunidense, martirizou a vida do povo palestino, é tido como 'reação' à guerra popular de libertação nacional palestina, quando a verdade dos factos dispõe exatamente o contrário, isto, a luta palestina como conseqüência do imperialismo genocida do moloch sionista.






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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

Notas de reflexão crítica X - a propósito de Hans Reichenbach

Alphonse van Worden - 1750 AD






- A propósito dos horizontes e linhas de demarcação do conhecimento científico, sobre os quais temos dito alguma coisa neste espaço, não poderíamos deixar de mencionar a figura exponencial de Hans Reichenbach (1891-1953), insigne lógico e filósofo alemão, mormente no que tange às suas considerações sobre o problema da justificação dos procedimentos indutivos.

- Um dos elementos axiais na epistemologia reichenbachiana é o postulado, ou seja, uma proposição que julgamos, ao menos em caráter temporário, como inequivocamente verdadeira, ainda que não possamos afirmar se de fato o é; habitualmente postulamos os eventos que possuem um grau máximo de probabilidade, isto é, acreditamos que o que se configura como mais provável é o que efetivamente ocorrerá; esta é, pois, a forma racional de atuação, sendo também o método de que quase sempre nos servimos, visto ser o mais prático. A finalidade da indução, argumenta Reichenbach, consiste em encontrar uma série de eventos cuja freqüência convirja num limite, em virtude do qual se formula um postulado cego, isto é, efetua-se a melhor previsão possível lastreada em experiências prévias, adotando o princípio de que apenas por intermédio de repetidas observações poderemos saber quão acertada foi a previsão estabelecida; se os dados obtidos confirmam o postulado cego e convergem para o limite previsto, constataremos sua precisão. Em outras palavras: se o limite existe, tal é o procedimento para encontrá-lo. A partir do limite, por conseguinte, já se torna possível atribuir um valor de probabilidade ao postulado cego, que desta maneira pode ser convertido em uma proposição dotada de significado.

- Esta forma de conceber a indução, é forçoso sublinhar, não almeja ter um caráter histórico. Reichenbach não pretendia asseverar que é forçosamente deste modo que se deve proceder ao fazermos ciência: seu intento, convém salientar, era levar a efeito una reestruturação racional do conhecimento científico, elaborar uma espécie de apologética da ciência; e é por esta razão, pois, que procurou enfatizar a diferença entre contexto de descoberta e contexto de justificação: o primeiro diz respeito às causas e móveis potencialmente presentes na gênese de uma premissa científica, que podem ser de natureza social, existencial, cultural, política, econômica, etc.; o segundo, por seu turno, relaciona-se aos critérios de cientificidade capazes de fundamentar de modo racional e consistente as hipóteses formuladas, de modo a estruturá-las num sistema conceitual coerente e ordenado. Para Reichenbach, a distinção nítida entre os referidos contextos é sobremaneira importante, uma vez que permitiu à epistemologia formular com clareza critérios de análise lógica universais e inequívocos, passíveis de verificar com precisão a validade científica de um enunciado.

- Tal procedimento, vale dizer, sem dúvida confere maior rigor e eficácia à investigação científica, uma vez que lhe proporciona maior clareza e densidade lógica na avaliação dos resultados da experiência. Destarte, o estatuto científico de uma teoria depende basicamente de seu contexto de justificação, sendo o contexto de descoberta algo de importância marginal, mormente psicológica. Desta maneira, portanto, as hipóteses teóricas são postuladas especulativa e livremente, mas sua ulterior fundamentação depende de rigorosos critérios lógicos que balizam o necessário cotejo com os fatos experimentais que elas pretendem descrever. É necessário salientar, argumenta Reichenbach, que malgrado o contexto de descoberta possa ser irracional, o contexto de justificação habitualmente coincide com o modo como os cientistas apresentam seus resultados ao público, ou seja, com uma estrutura compacta e coerente, desprovida de quaisquer incongruências ou elementos arbitrários; é também mister não confundir a distinção entre estes dois contextos com a postura indutivo-dedutiva ou com a hipotético-dedutiva, tendo em vista de que o contexto de justificação não é de caráter dedutivo, mas se trata de uma reconstituição do argumento que lhe confere coerência e o despoja do que a princípio eram somente conjecturas ou apostas especulativas, procedendo, pois, de maneira essencialmente indutiva; delineia-se portanto, na perspectiva de Reichenbach, como a justificação pragmática do indutivismo científico.

- Os contextos propostos por Reichenbach estabelecem, portanto, uma linha de demarcação epistemológica sobremaneira útil e precisa. seja nebulosa, muito pelo contrário. Há, pois, uma nítida distinção entre, por um lado, o momento de postulação de uma hipótese, para o qual vários elementos circunstanciais e subjetivos podem concorrer e, por outro, o momento em que essa mesma hipótese será fundamentada, isto é, será cotejada com os dados experimentais que tenciona descrever. Acrescento ainda que, tendo em mente que a descrição sistemática de um conjunto de fenômenos será sempre fatalmente mais ou menos aproximativa, me parece bastante profícuo raciocinar nos termos do que o matemático e epistemólogo brasileiro Newton da Costa denomina de 'quase-verdade', isto é, soluções que se revelam 'verdadeiras' até que, mediante a descoberta de um novo arranjo conceitual, a estabelecer uma aproximação ‘correspondencial’ mais exata entre objeto e sistematização teórica que as anteriormente vigentes, uma nova solução 'quase-verdadeira' seja formulada.