domingo, junho 03, 2018

Sinopse para uma possível continuação de A Clockwork Orange (1962 - livro / 1971 - filme)






Inglaterra, 1985.

Alex DeLarge aos 30 anos de idade. Após toda a experiência traumática com o tratamento Ludovico; a impiedosa vingança da sociedade após seu retorno; a tentativa de suicídio e anos de internação psiquiátrica etc., nosso protagonista resolve que o melhor a fazer seria adquirir uma base intelectual sólida. Não que tivesse a ilusão de que isto fosse dar algum sentido 'maior' a sua vida, muito menos justificá-la; pensa, não obstante, que talvez seja uma maneira de pô-la em perspectiva, de proporcionar foco e direção ao ódio profundo e inexorável que continua a devorar-lhe as entranhas. Assim sendo, solicita a seu grande fiador no seio do governo, o Min. do Interior, que lhe consiga uma bolsa de estudos em sociologia, filosofia, literatura ou psicologia n'alguma boa instituição de ensino no país. Acionando os canais competentes e submetendo Alex aos trâmites e exames acadêmicos necessários, o min. logra inscrevê-lo na prestigiada escola de ciência política da London School of Economics. A vida universitária de nosso herói decerto não seria das mais fáceis. A grade curricular não desperta maior interesse em Alex; em termos de convívio social, a fama pregressa e a postura altiva certamente não lhe granjeiam grande simpatia entre seus pares. Paulatinamente, contudo, Alex começa por vias transversas a descobrir o 'lado negro da força' de seu campo de estudos: aqui e ali, obras de autores como Carl Schmitt, Georges Sorel, Giovanni Gentile, Ernst Jünger, Francis Parker Yockey, Arthur Moeller van den Bruck, Julius Evola etc. começam a cair em suas mãos, além de textos de líderes políticos como Mussolini, Codreanu, Degrelle, Primo de Rivera, Hitler, Goebbels, Ramiro Ledesma Ramos etc. Outrossim descobre, para seu imenso deleite e fascínio, a figura de sir Oswald Mosley, que logo passa a encarar como modelo de conduta e 'patrono' político. 'Last but DEFINITELY not least', coroando esse processo de metanoia, o momento sublime e determinante para o eterno melômano que Alex sempre foi e sempre será: a descoberta do universo de Richard Wagner, com todas as óbvias e importantíssimas consequências que isso poderia ter para alguém como ele. É sem sombra dúvida como a explosão d'uma supernova no imo do espaço sideral: ora a revolta amorfa e caótica que nele sempre fervilhara tem nome, lógica, propósito.

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Inglaterra, 1995. 

Bom, sem mais delongas: Alex conclui seus estudos, obtendo o grau de mestre e por fim o de PHD. Como obviamente jamais se adaptaria ao meio acadêmico (e o novo governo estava determinado a extinguir sua pensão), passa a dar aulas particulares. Sempre carismático, sobremaneira envolvente e sedutor, ao longo d'alguns poucos anos arregimenta não um simples punhado de alunos, mas sim uma verdadeira legião de fervorosos discípulos.

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Inglaterra, ano 2002 em diante.

E assim o processo evolui de forma orgânica, como se correspondesse ao fluxo natural das coisas, a uma dinâmica praticamente inevitável: Alex converte-se em líder d'uma nova organização política, uma espécie de BUF (British Union of Fascists) da era do nacional-bolchevismo. Em pouco tempo o movimento ganha surpreendentes força e notoriedade, alarmando o establishment político britânico e europeu. Surge então a figura do antagonista: Anthony Greenwall, líder do Labour Party. Intelectual progressista de esquerda (multiculturalista, globalista,europeísta, feminista, gayzista, pró-imigrantes, etc. etc. etc.) Greenwall tem também uma motivação pessoal para se opor ao novo líder: é sobrinho do escritor F. Alexander, uma das mais notórias vítimas de Alex e seus droogs nos áureos tempos da ultraviolência. A trama, enfim, se desenvolve como o titânico confronto ideológico, espiritual e psíquico entre Alex e Anthony, cujos desdobramentos obviamente exercerão decisiva influência sobre os destinos da Grã- Bretanha (e, ao fim e ao cabo, do planeta).

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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros


quarta-feira, maio 02, 2018

A arte do futuro


Alphonse van Worden - 1750 AD

Em seu ensaio The Study of Mathematics (1919), Bertrand Russell afirmou o seguinte a propósito do elemento estético presente na matemática:

Mathematics, rightly viewed, possesses not only truth, but supreme beauty — a beauty cold and austere, like that of sculpture, without appeal to any part of our weaker nature, without the gorgeous trappings of painting or music, yet sublimely pure, and capable of a stern perfection such as only the greatest art can show. 

Mais ou menos à mesma época, o deífico Paul Valéry , num de seus magníficos escritos para série Variété (ora não me recordo precisamente qual), declarou que se calhar seu desiderato supremo seria a criação d'uma 'Commedia da inteligência'. Dante escrevera a Divina, Balzac a Humana; Valéry, por seu turno, almejava a da abstração total. Analogamente, em determinada passagem de seus Cahiers, chega a afirmar que uma demonstração matemática proporcionava-lhe maior deleite e satisfação estética que a leitura d'um romance. Vale lembrar, outrossim, que o escritor francês especulou sobre a possibilidade de uma história da literatura que não mencionasse autor algum, mas que, com efeito, fosse concebida como uma espécie de história do Espírito Universal enquanto produtor de literatura.

Pois bem: socorro-me das reflexões de dois gênios incontestáveis para porventura dar sustentação a uma aspiração sempre mais intensa em minh'alma. Com efeito, desejo cada vez mais uma arte olímpica, imaculada, impassível, glacial, hierática, sublime, mítica, irreal. Uma arte (também no plano literário, convém sublinhar) ao fim e ao cabo inumana, que não pareça brotar de qualquer criador individual, mas sim surgir como emanação involuntária do Cosmo ou inefável manifestação divina. Uma 'arte das esferas' que se propague lenta e indefinidamente por espaços infindos e silêncios eternos, curva assimptótica em direção ao Fogo Sagrado. 

Em suma: ambiciono uma arte praticamente fora do tempo e do espaço, que já nasça clássica e universal, para todos e para ninguém. 





sexta-feira, março 30, 2018

Bauhaus: the Dark Side of the Goth Dub





Prezados confrades: sabem o momento exato em que o reggae deixa de ser reggae, abandonando voz, melodia, sopros e outros instrumentos melódicos para concentrar-se tão somente na hipnose gerada pela sagrada aliança baixo/bateria, multiplicada ad infinitum em progressão geométrica por sucessivos e cumulativos efeitos de eco, que ricocheteiam uns contra os outros em tonitruante crush collision , reverberam sobre si mesmos e voltam a reproduzir-se indefinidamente em crescente atmosfera de desorientação sônica, gerando novas galáxias turbilhonantes de hipnose rítmica? Trata-se, senhoras e senhores, do dub,um conjunto de técnicas de produção desenvolvidas pelos jamaicanos Lee Scratch Perry e King Tubby a partir de meados da década de 70,  e que desde então  exerceram grande influência sobre o que há de mais ousado na música contemporânea.

Pois bem: e o que isso teria a ver com o Bauhaus, célebre formação britânica atuante entre 1978 – 1983 (para não lembrarmos aqui – misericordiosamente, aliás – as tentativas de revival ocorridas em 1998 e 2008)? Muito mais do que a princípio se poderia pensar.  Pois se é verdade que o Bauhaus foi a banda mais emblemática do chamado goth rock, com seu arsenal de guitarras dissonantes, vozes espectrais, baixo saturado e percussões tribais, Peter Murphy e seus asseclas (Daniel Ash / David J. / Kevin Haskins) criaram uma espécie de trajetória paralela, um teatro de sombras onde os pesadelos expressionistas e inflexões bowieanas de suas composições mais notórias se entrelaçam às pajelanças dub.

Na verdade, o interesse do Bauhaus pelas fantasmagorias de Lee Perry & Cia. vem desde o começo:  já em seu single de estréia, “Bela Lugosi's Dead” (1979), que se tornaria a 'canção-assinatura' de todo o goth rock britânico,  é evidente o entrechoque entre hipnoses percussivas avant funk, sinistras radiações ambient e alucinações dub. Tais elementos eram compartilhados com outros grupos do cenário britânico de então (Pop Group, Cabaret Voltaire, Foetus, Clock DVA, T.A.G.C., etc.), mas a abordagem de nossos amigos é decididamente singular: emanações sulfurosas de tribos africanas em mutação teutônica tocando covers de Can numa missa negra schizo jazz; tambores e sopros espectrais terçando vozes com found sounds alienígenas na floresta cibernética do apocalipse ambiental; África e Europa em transe eletromagnético, intercambiando idiomas secretos em multiformes rituais de hermetismo sônico. É mormente digna de nota a alternância entre dois paradigmas estilísticos: ritmos turbulentos e compassos fragmentários, de um lado; paisagens sonoras ominosas, atmosferas surreais e tramas circulares de ruídos aleatórios, de outro, ambos traduzindo à perfeição o cariz mais 'esotérico' e soturno do Bauhaus.

Assim sendo, em peças como "Terror Couple Kill Colonel", "Satori", "Earwax", "Poison Pen", “Departure”, “Party of the First Part”,  "In Fear of Dub", “Harry”, “1-2-3-4”, “Dave and Danny's Waspie Dub #2”, “Paranoia, Paranoia”, “Here's the Dub” e outras mais, originalmente espalhadas entre compactos e ep's da banda (e hoje compiladas em coletâneas ou encaixadas como bonus tracks nas reedições dos discos de carreira), o ouvinte é presenteado com um exercício de desconstrução sistemática e meticulosa dos fundamentos basilares do rock e do reggae via eletrônica minimal, terremotos percussivos e uma delirante orgia de found sounds / samples oriundos das mais diversas procedências. É o goth rock de fatura punk desdobrando-se num sabbath transpsicodélico de atmosferas obnubiladas através de nuvens eletrônicas de sinsemilla sônica...

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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

domingo, fevereiro 11, 2018

L'Apogée du Sacré

Alphonse van Worden - 1750 AD


Vivre ? Non. — Notre existence est remplie, — et sa coupe déborde ! — Quel sablier comptera les heures de cette nuit ! L’avenir ?… Sara, crois en cette parole : nous venons de l’épuiser. Toutes les réalités, demain, que seraient-elles, en comparaison des mirages que nous venons de vivre ? À quoi bon monnayer, à l’exemple des lâches humains, nos anciens frères, cette drachme d’or à l’effigie du rêve, — obole du Styx — qui scintille entre nos mains triomphales !

La qualité de notre espoir ne nous permet plus la terre. Que demander, sinon de pâles reflets de tels instants, à cette misérable étoile, où s’attarde notre mélancolie ? La Terre, dis-tu ? Qu’a-t-elle donc jamais réalisé, cette goutte de fange glacée, dont l’Heure ne sait que mentir au milieu du ciel ? C’est elle, ne le vois-tu pas, qui est devenue l’Illusion ! Reconnais-le, Sara : nous avons détruit, dans nos étranges cœurs, l’amour de la vie — et c’est bien en réalité que nous sommes devenus nos âmes ! Accepter, désormais, de vivre ne serait plus qu’un sacrilège envers nous-mêmes. Vivre ? les serviteurs feront cela pour nous.


*

"Viver? Não. - Nossa existência está consumada, e sua taça transborda! - Que ampulheta contará as horas desta noite! O futuro? Crê em minha palavra, Sara: acabamos de esgotá-lo. Todas as realidades do amanhã, que seriam em comparação com as miragens que acabamos de experimentar? Qual o sentido de comprar, a exemplo dos timoratos, nossos velhos irmãos, este dracma dourado com a efígie do sonho - óbolo do Estige - que brilha em nossas mãos triunfais?!

A qualidade de nossa esperança já não nos faculta a Terra. O que demandar a esta estrela miserável, onde persiste nossa melancolia, senão pálidos reflexos de tais instantes? A Terra, dizes tu? O que ela alguma vez levou a cabo, aquela gota congelada de lama, cuja Hora tão somente logra mentir no meio do firmamento? É ela, tu não compreendes isso, que se transformou em ilusão! Admite, Sara: destruímos, em nossos corações estranhos, o amor à vida - e de fato nos convertemos em nossas almas! Aceitar viver, doravante, não seria mais do que um sacrilégio para nós mesmos. Viver? Os criados farão isso por nós."

Axël (1890) - Jean-Marie-Mathias-Philippe-Auguste de Villiers de L'Isle-Adam

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O píncaro do ápice do auge do apogeu, o vero PEAK OF THE SACRED do evasionismo místico da gnose romântica, é o matrimônio entre o conde Axël de Auersperg e a princesa Sarah de Maupers, na necrópole subterrânea do castelo dos Auersperg em Baden-Württemberg.

Sabia o casal, não obstante, que o grosseiro mundo material jamais estaria à altura dos deíficos desígnios que excelsamente acalentavam.

Destarte, percebendo que o caráter sublime e preternatural de seus sonhos fatalmente pereceria em contato com a realidade, os noivos decidem suicidar-se, elevando-se dos báratros do mundo material às esferas da Arcana Coelestia, para que a beleza, para que o inefável milagre da beleza imaterial, não se dissipe; matam-se, pois, num vórtice rutilante de êxtase cósmico, e despedem-se com a seguinte sentença, emblema máximo da Aristocracia do Espírito:

Vivre? Les serviteurs feront cela pour nous.

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O alcance dessa obra tão somente pode ser compreendido por aqueles cujo coração é d'algum modo arrebatado pelo imperativo da revolta gnóstica contra a 'Realidade', mesmo que em caráter exclusivamente mitopoético; os demais, faltos de metafísica e sensibilidade poética, chafurdam em charcos obscuros.


domingo, fevereiro 04, 2018

Mark E. Smith (1957 - 2018): um herói (possível) de nosso tempo


Nostalgia. É emblemático constatar ser precisamente este o sentimento recorrente nos melhores necrológios publicados na imprensa britânica a propósito de Mark E. Smith.

Nostalgia sem dúvida inspirada pelo ethos, pelos sentimentos, temáticas e sensibilidades estéticas cultivados pela banda do falecido cantor e letrista, que sempre evocou o que a Inglaterra tinha de mais singular e original, sem poupar seus compatriotas da mais corrosiva ironia, e talvez por isso mesmo outrossim celebrando suas melhores virtudes.

Entre outras coisas, era o reino inconteste do understatement; dos olhares sublimados; de gestos discretos, quase imperceptíveis, mas tão significativos em sua complexa geometria de silêncios... Um país, pois, caracterizado por uma miríade de fascinantes e surpreendentes sutilezas, com sua plêiade de excentricidades sutis e discretas peculiaridades.

Desafortunadamente, contudo, esse país hoje existe apenas nos escritos de figuras como GK Chesterton, Evelyn Waugh e PG Wodehouse; nos filmes de Tony Richardson ou Jack Clayton; nas letras de música de cronistas como Ray Davies e nosso querido Mark. Está a ser paulatinamente substituído, num processo que vem se intensificando desde a década de 90 do século passado, pelo "death twilight kingdom" (TS Eliot) do horror multiculturalista e da barbárie globalista liberal, infestado por hordas de analfabrutos e animonstros que a náusea e o fastio não me permitem ora elencar (e que todos vós obviamente sabeis muito bem quem são...).

Insomma: quem conheceu, conheceu; quem não conheceu, um abraço. E fim de papo.

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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

Entre ruínas fumegantes e sombras ominosas, memórias crepusculares d'um país que já se foi - I

Alphonse van Worden - 1750 AD


Definitivamente alguma coisa se perdeu... se calhar em todo o planeta, mas com absoluta certeza em nosso país... algo de fundamental, algo de extraordinário, de assombroso, de transcendente, que se manifestava até mesmo em episódios e circunstâncias relativamente singelos. Os indícios e exemplos enxameiam, mencionemos um deles colhido hoje ao sabor do acaso. Leio numa crônica de Vinicius de Moraes que em 1942, por ocasião da passagem de Orson Welles pelo Brasil, o poeta brasileiro, desejoso de que o cineasta norte-americano travasse conhecimento com Limite (Mário Peixoto - 1931), após uma série de contratempos enfim conseguiu promover uma sessão da fita.

Pois bem: além, claro está, do maior cineasta de todos os tempos e d'um assaz respeitável homem de letras brasileiro, para essa exibição de um dos filmes mais enigmáticos e densamente poéticos da história da sétima arte estavam presentes, entre outros nomes menos ilustres, as seguintes figuras: a maior atriz da história do cinema (Renée Maria Falconetti); o melhor crítico literário e uma das inteligências mais fulgurantes que já andaram por este país (Otto Maria Carpeaux); um barítono inglês de fama internacional (Frederick Fuller).

Uma simples sessão de cinema... É, alguma coisa definitivamente se perdeu, não é possível...

domingo, maio 21, 2017

O Ocaso do Mestre: um soneto à deriva























Ó preclaríssimos e inclitíssimos irmãos d'armas, savdações cesaropapistas!

Pois bem: cá está a mais núpera emanação um novo produto do humílimo estro poético droguiano; sabedor da índole munificente e longânime que sói caracterizar-vos, espero desfrutar de vosso valedoiro ditirambo!  

O Ocaso do Mestre

Quem muita peçonha sói secretar
Cedo ou tarde acaba por se envenenar
Quem muito perverte, calunia, difama
Cedo ou tarde se enreda em triste trama!

É o caso de solerte, pérfido guru,
Verme maçom e sionista, ó horror!
Que dia após dia se desfaz em bolor
E prestes está, ora porra, a tomar no cu!

Diz-se que a digníssima inquieta está
Pois em desespero o truão cogita
Ideias d’autocídio pra lá e pra cá

Triste sina, tétrica desdita
De lustros de patifaria, eis o aziago fruto
Em breve a ser colhido pelo bruxo prostituto!

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Ten. Giovanni Drogo 

Forte Bastiani


Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Tratado Geral do HOMEM-FUNÇÃO - III

Alphonse van Worden - 1750 AD





O panorama atual 

Amiúde associava-se em outros tempos a figura da 'função' a uma postura ideológica e existencial classe 'mérdia', em geral amorfa, indistinta, sem aprofundamento suficiente para ser classificada como 'progressista' ou 'conservadora' mas simplesmente fluindo entre esses dois conforme a conveniência.  Não obstante, tem que estar muito atento, sobretudo no Brasil, à existência crescente d'uma subespécie de 'seres-função': os 'funções' da nova esquerda. A maioria dos estudiosos de funcionologia concorda que a chamada "Era Lula" foi o elemento mais importante para o agravamento do fenômeno em tela.

Com a ascensão do petismo, uma colocação no serviço público passou a ser algo cada vez mais almejado por parcelas crescentes da população. Tal dinâmica, por seu turno, permitiu que o 'funcionalismo de esquerda', que antes via de regra permanecia incubado - já que o indivíduo considerava desonroso trabalhar para o Estado 'burguês' - , tornou-se progressivamente manifesto. Assim sendo, ao tradicional contingente dos 'funções-concurseiros', agregou-se a subespécie dos 'funções' de esquerda que, com o advento de um presidente pretensamente da classe trabalhadora e de um partido tradicionalmente forte entre os servidores públicos, passaram a julgar meritório trabalhar para o 'governo'. 

Em décadas passadas, a esquerda costumava valorizar a formação universitária, mormente nas áreas História, Sociologia e filosofia política. Isso ainda ocorre no meio acadêmico, saliente-se; existe, todavia, entre a nova geração dos 'funções' de esquerda lulopetistas egressos das classes C e D, uma considerável ojeriza em relação à figura do 'intelectual' e á necessidade do estudo formal. Tal manifestação de repúdio ao saber sempre foi relativamente comum entre os elementos conservadores da classe média baixa; todavia, com a eleição de Lula-Dilma, passou a contar com um verniz 'progressista', já que o presidente teria demonstrado que o preparo acadêmico não é importante para um bom governante.

Ironicamente (ou, se calhar, emblematicamente...), contudo, à medida que as classes C e D atingiram um padrão de vida mais confortável, os homens-função que até então estavam cerrando fileiras com o liberalismo de esquerda paulatinamente rumaram para o liberalismo de direita; e com o massacre midiático sistemático a que foram submetidos os governos Lula-Dilma, hoje estes ex-‘funcionalistas’ da nova esquerda se sentem mais confortáveis dentro d’um espectro mais conservador e entreguista, condizente com nosso cenário politico atual. A era Lula-Dilma e o advento de Temer atualmente evidenciam a facilidade do homem função, essa criatura onde tudo é conveniência, de se camuflar e trocar de parâmetros políticos como quem troca de roupa.

Por fim, é instrutivo observar que a esquerda intelectual, iludida pelo fetiche da ascensão da classe trabalhadora, não conseguiu perceber como estes lhe são profundamente hostis e daí sua atual impotência no Brasil atual.

Em suma: o Funcionalismo hoje é liberal e entreguista nos moldes clássicos do tiozão reacionário que escreve em caps lock no Facebook; amanhã, quem sabe, poderá assumir uma configuração totalmente diferente. Não obstante, devemos sempre estar prontos a mapear tais entidades, não importa a camuflagem que usem, e uma vez identificadas, devemos inapelavelmente destruí-las.

sábado, novembro 26, 2016

In Memoriam IX




Indômitos irmãos d'armas:

Fidel Alejandro Castro Ruz foi indubitavelmente o maior líder revolucionário de toda a História da América Latina; um homem que durante mais de meio século encarnou os mais excelsos valores e talantes de nossa gente americana; um tribuno magno da guerra anti-imperialista dos povos da Terra; e, se calhar mais do que qualquer outra coisa, a própria consciência militante das Américas.

Trata-se, com efeito, consoante já dissemos a propósito do falecimento de Hugo Chávez, d'uma perda incomensurável, não somente para o conjunto das forças revolucionárias na América Latina, mas também para os nacional-bolcheviques, evrasianos e partidários da Quarta Teoria Política em todo o mundo.

Caracterizado por um assombroso amálgama entre fé inquebrantável, descortino estratégico, perspicácia tática e idealismo flamejante, Fidel Castro sempre 'combateu o bom combate', seja no plano militar, na esfera da administração pública ou no terreno das ideias. Nos quarenta e sete anos em que esteve à frente do governo de Cuba, nunca transigiu na defesa da soberania, do bem-estar e da liberdade do povo de seu país, e pugnou de forma incansável para que as mesmas conquistas se tornassem patrimônio comum de toda a Humanidade; no último decênio, crepúsculo outonal d'uma vida extraordinária, ainda que restrito ao âmbito da luta ideológica, perseverou na promoção dos mesmos ideais e princípios que marcaram sua atuação política.

Isto posto, declaramos: que para vós se descortinem, infindas e altaneiras, as iridescentes veredas da ARCANA COELESTIA!!!


EXEMPLO VOSSO, LUTA NOSSA!!!




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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

quinta-feira, outubro 20, 2016

Brevíssimas notas sobre a relação entre Teatro e Filosofia

Alphonse van Worden - 1750 AD



- O Teatro pode ser compreendido como a manifestação concreta de dois problemas centrais da Filosofia: IDENTIDADE e REPRESENTAÇÃO.

- A identidade de uma determinada coisa é o que ela simplesmente É. Tal relação, não obstante, nem sempre se estabelece de forma unívoca: a molécula de oxigênio, por exemplo, é sempre idêntica a si mesma, sob qualquer circunstância ou contexto espaço-temporal. Todavia, conceitos como ‘sociedade’ ou ‘justiça’ apresentam uma identidade muito mais problemática, uma vez que se revestem de caráter equívoco e multidimensional. Analogamente, é sumamente difícil determinar a 'identidade', no sentido unívoco do termo, de um indivíduo, já que em cada um de nós converge um feixe multiforme de idéias, sensações, impulsos e sentimentos não raro contraditórios e contrastantes.

- No teatro, esta tragédia da identidade é exercitada de forma exemplar pelo ator, pois este encarna a identidade de uma personagem sem, no entanto, ser ‘idêntico’ a ele, já que sua própria identidade continua presente em cena; forma-se então uma terceira identidade, distinta das anteriores: a do ‘ator enquanto veículo da personagem’.  Forja-se destarte todo um jogo triangular de espelhos que se refletem e se deformam mútua e continuamente.

- O problema da representação, por seu turno, envolve os diferentes modos com que a linguagem, através de diversos arranjos de símbolos e palavras, é capaz de descrever / significar um determinado objeto ou evento. A representação, por mais acurada que seja, jamais será idêntica à realidade que tenciona descrever, o que vige até mesmo no rigoroso universo das teorias científicas; analogamente, ao considerarmos o universo da linguagem, constatamos a presença d’uma distinção substancial entre entidades linguísticas e entidades reais, entre os elementos do discurso e os elementos da realidade. William of Ockham, por exemplo, notável filósofo medieval inglês, afirma não se deve atribuir aos signos (isto é, qualquer sinal gráfico, fonético, etc. criado para representar algum ente real), necessários para descrever e comunicar, nenhuma outra função senão a de representação ou símbolo, cujo significado está em assinalar ou indicar realidades diversas dele.

- O teatro, portanto, também se constitui como tragédia da representação, já que é a tentativa de representar, da forma mais exata possível, contextos e atmosferas, de transfigurar universos conceituais e existenciais, sem que tal intento possa ser levado a efeito em caráter definitivo.

- Com efeito, o dramaturgo, no processo de transcrever para o papel a trama que sua imaginação criou, já está recorrendo a um processo de representação, uma vez que a supracitada trama, organizada e dividida em cenas e atos, não corresponde exatamente ao que antes existia apenas em sua mente. Da mesma maneira, o diretor, ao encenar uma peça, está igualmente levando a efeito um processo de representação, de transposição do texto que tem em mãos para o espaço cênico, envolvendo iluminação, marcações, cenários, trilha sonora, etc. Os atores, por fim, inseridos na concepção que o diretor adota para a montagem de um texto teatral (concepção essa, relembremos, que é apenas uma representação do texto, o qual, por seu turno, é a transcrição do processo mental do dramaturgo), interpretarão / representarão as personagens que lhes forem designadas.

- Trata-se, enfim, d’uma dinâmica em si mesma tão complexa e fascinante que uma figura do porte de Paul Valéry, se calhar o mais importante pensador francês do século XX, sustentava que a observação sistemática dos mecanismos operacionais de sua inteligência era, por si só, mais interessante que o resultado final do próprio processo de criação / representação, até mesmo no que se refere à sua obra poética.   

Tora! Tora! Tora!



Pouco mencionado aqui em nossas plagas, este insólito quarteto nipônico é sem dúvida uma das melhores formações do noise rock nos últimos 20 anos. Formado em 1992 por estudantes do depto. de línguas estrangeiras da Universidade de Tóquio (Yasuko Onuki - vocais / Ichirou Agata - guitarra elétrica, efeitos / Rika mm' - baixo elétrico / Toshiaki Sudoh - bateria), o Melt-Banana existe até hoje, tendo a seu crédito uma discografia das mais interessantes, onde à emblemática blitzkrieg sonora tão característica das vanguardas nipônicas acrescenta-se um notável senso de proporção estrutural.

Parte integrante do mesmo cenário de outros nomes célebres como Ruins e Boredoms, a banda notabilizou-se por sua singularmente criativa reinterpretação do hardcore, onde, à arquetípica velocidade do estilo, agregam-se a atmosfera caótica e fragmentária do rock industrial e a quebradeira esquizoide da no wave. Quem descreve à perfeição a coisa toda é o crítico norte-americano Dan Lett:

"As the subway pulls into Shibuya on the Yamanote Line in Tokyo, nothing can prepare you for the sensory onslaught that awaits. Leaving the station via the Hachiko exit reveals a piercing overload of blinking neon, tennis court-sized media screens, and a relentless and chaotic surge of humanity through the streets that spiral dizzyingly off into the horizon. As a city gripped by paroxysms of furious activity, Tokyo seems to be a very reasonable home for the spasmodic, psychotic hardcore of Melt-Banana."

E é isso mesmo, oh my brothers: Melt Banana é quiçá a melhor transfiguração sonora do rutilante caleidoscópio de imagens e sensações que caracteriza a contemporaneidade japonesa, espécie de 'bomba-relógio sonora' sempre prestes a explodir em velocidade warp, metralhadora giratória disparando para todos os lados múltiplos projéteis de noise concentrado. Merece especial referência a hipercinesia demencial da vocalista Yasuko Onuki, em fascinante contraste com sua eterna aparência de pvteenha hentai; e também o genial Ichirou Agata, que converte sua guitarra numa espécie de sirene alienígena despejando rajadas sucessivas de fúria cauterizante. A 'cozinha', por seu turno, faz o que se espera de uma boa seção rítmica hardcore: simplesmente impulsiona o frenesi melt-bananiano em hyperspeed permanente, dando espaço para que Yasuko e Agata estraçalhem o ouvinte com seu 'teatro da crueldade' sônico.

A banda lançou infinitos singles, ep's e splits, além de, se não me falha a memória, uns 7 ou 8 full lenght. O melhor de sua produção corresponde aos anos entre 1994 e 2000, quando as características acima elencadas atingiram sua mais pura expressão formal; há que conferir especial relevo, contudo, ao segundo álbum dos camaradas: produzido, mixado e gravado por uma trinca de craques (KK. Null, Jim O'Rourke e Steve Albini), Scratch or Stitch não apenas cai sobre o ouvinte como uma verdadeiro ICBM de sonic obliteration, mas também surpreende pela precisão cristalina com que tal engenharia do caos é registrada.

Como de resto ocorre em toda a produção discográfica da fase áurea do Melt-Banana, trata-se d'um álbum extremamente coeso, um bloco monolítico de insanidade sonora onde quiçá não caberia destacar esta ou aquela música; não obstante, contrariando a lógica adrede esposada, é mister ressaltar, em termos de pura truculência schizo-core, peças como Rough Dogs Have Bumps, Buzzer #P, Plot in a Pot, Scratch or Stitch, Iguana in Trouble, Dig Out!, Sick Zip Everywhere e I Hate It!; na esfera dadaísta dos avantêsmicos microtemas psycho-otaku in full effect, Test: Ground 1, Zoo, No Vacancy, Type B for Me e Ten Dollars a Pile; e por fim, como OVNI's abstrusos e inclassificáveis, Eye-Q Trader, Back to the Womb e His Name Is Mickey (At Least She Got Him...).

Em suma, egrégios confrades: BANZAI!!!




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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

sábado, outubro 01, 2016

A propósito da relação entre Cristianismo e Judaísmo

Alphonse van Worden - 1750 AD





Preclaríssimos irmãos d'armas:

Bem sei que nós, católicos, devemos obediência tanto ao magistério da Igreja quanto ao Bispo de Roma; não obstante, há certos eventos, mormente nos últimos cinquenta anos, que são simplesmente INACEITÁVEIS para qualquer católico que se preze. O pior deles, se calhar, é a declaração Nostra Aetate, promulgada por Paulo VI em 1965. Nela está disposto, a flagrante contrapelo de todo o magistério da Igreja, que os judeus devem ser inocentados de sua culpa coletiva no tocante ao assassinato de Jesus Cristo; enfatiza-se, ademais, os (muito poucos) elementos concordes entre judaísmo e catolicismo.

Ora bem, não é necessário ser um Doutor de Aquino ou um Petrus Lombardus, isto é, uma doutíssima autoridade nos misteres da exegese, para verificar que, através da simples leitura dos evangelhos, fica absolutamente patente a culpa coletiva dos judeus em relação ao Deicídio. Citemos apenas, a esse respeito, Mt 27,17-25:


17 Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo? 

18 {Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.} 

19 Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito. 

20 Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus. 

21 O governador tomou então a palavra: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam: Barrabás! 

22 Pilatos perguntou: Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado! 

23 O governador tornou a perguntar: Mas que mal fez ele? E gritavam ainda mais forte: Seja crucificado!

24 Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse:

25 Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!
E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!


Trata-se, com efeito, d'uma passagem cristalina, incontrastável, inelutável, insofismável: a judiaria, reunida pelo Sinédrio, condena Jesus Cristo à morte de forma categórica, em uníssono. E ainda proclama: "caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!", o que faz com que os judeus, através dos séculos até os dias de hoje, outrossim sejam culpados pela Paixão de Cristo! Não há, pois, o que discutir, o que tergiversar.

De resto, Amiúde faz-se mister relembrar mesmo aquilo que de sobejo é conhecido; assim sendo, confrades, recordemos aqui algumas observações de Jesus Cristo a propósito dos fariseus, pais do judaísmo rabínico (Mt 23:13-19;27-35):


13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.

14 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.

15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.

16 Ai de vós, condutores cegos! pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor.

17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?

18 E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor.

19 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a oferta?

(...)

27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.

28 Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.

29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,

30 E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas.

31 Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.

32 Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.

33 Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?

34 Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;

35 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.


E outrossim a supina autoridade de S. Paulo de Tarso, que afirma de forma insofismável, cristalina, que os judeus não apenas são, SIM, coletivamente culpados pelo assassinato de Cristo, mas também inimigos ferozes da Cristandade através dos tempos (1 Tessalonicenses 2: 14-16):


14 Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles,

15 Os quais também mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e nos têm perseguido; e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens,

16 E nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim.


Atentai: "a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim", isto é, ou serão admitidos no seio do Altíssimo quando reconhecerem no Cristo seu messias e salvador, ou terão seus nomes apagados do Livro da Vida. TERTIUM NON DATUR!

E ainda o insigne apóstolo, a propósito da ruptura da aliança entre Deus e o povo judeu por ocasião do deicídio, em Romanos 11: 11-24:


11 Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.

12 E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!

13 Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério;

14 Para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles.

15 Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?

16 E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são.

17 E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira,

18 Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.

19 Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado.

20 Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme.

21 Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também.

22 Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.

23 E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.

24 Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!


Será que após reler tais passagens alguém ainda cometeria o desatino de falar em 'civilização judaico-cristã'?! A expressão 'civilização judaico-cristã', além de ser ofensiva para qualquer cristão que se preze, está fundamentalmente errada. O judaísmo é o grande inimigo histórico do cristianismo, em todos os sentidos. Sinagoga e Igreja opõem-se através dos tempos num conflito primordial e irreconciliável, que perpassa todas as esferas da ação humana.

Nossa civilização é essencialmente ROMANO-CRISTÃ, síntese essa histórica e politicamente consagrada pelo Édito de Tessalônica, quando o Imperador Teodósio I, em 380 d.C, converteu o cristianismo em religião oficial de Estado do Império Romano. Portanto, não aceitem que tentem nos misturar com a judiaria!

NÃO ACEITEM TAMANHA IMPOSTURA!!!


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Quanto ao ABISMO que separa o judaísmo da fé cristã, citemos tão somente algumas afirmações contidas do Talmud:


1) Ele e seus discípulos praticaram feitiçaria e magia negra, lideraram judeus erradamente ao interior da idolatria, e foram patrocinados por poderes estrangeiros, gentios, para o propósito de subverter a adoração judaica (Sanhedrin 43a). 

2) Ele foi sexualmente imoral, adorava estátuas de pedra (um tijolo é mencionado), foi cortado fora do povo judeu por sua maldade, e recusou a arrepender-se (Sanhedrin 107b; Sotah 47a). 

3) Ele ensinou bruxaria no Egito e, para executar milagres, usou procedimentos que envolviam cortar sua carne, que é também explicitamente banido na Bíblia (Shabbos 104b). 

4) Gittin 57a. Diz que Jesus está no inferno, sendo fervido em "excrementos quentes". 

5) Kallah 51a."Os anciãos estavam uma vez sentados no portão quando dois jovens passaram por ele; um cobriu sua cabeça e o outro descobriu sua cabeça. Daquele que descobriu sua cabeça, o Rabi Eliezer advertiu que ele é um bastardo. Rabi Joshua advertiu que ele é o filho de uma niddah (uma criança concebida durante um período de menstruação de uma mulher). Rabi Akiba disse que ele é tanto um bastardo quanto um filho de uma niddah


Isto para não mencionar todas as barbaridades ditas a propósito dos gentios (qualificados como animais inumanos), da religião cristã, de nossos evangelhos, etc. Onde está, portanto, "o tão grande patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus" que a supracitada declaração tanto exalta?!

Fica, destarte, muito difícil não acreditar nas teorias conspiratórias que sustentam que certos rabinos e conselheiros judeus exerceram decisiva influência sobre o Concílio Vaticano II.

Por fim, reiteremos uma vez mais a verdade óbvia e ululante: a força matriz, o fio condutor da História do Ocidente foi, é e continua sendo o conflito primordial e irreconciliável, em todos os aspectos da experiência humana, entre a Igreja e a Sinagoga, o Cristianismo e o Judaísmo.

segunda-feira, julho 18, 2016

Götterdämmerung in Rio, or do you wanna Ragnarök with me, babe?



No curso de sua longeva e exitosa carreira, o saxofonista alemão Peter Brötzmann recebeu o epíteto de ‘iron lungs’. Trata-se, a meu juízo, de apodo dos mais injustos e inadequados. O ferro, como bem sabeis, oxida, enferruja, quebra; não é o caso de Brötzmann, que permanece inoxidável e inquebrantável do alto de seus veneráveis 75 anos de idade, mandando brasa em seus instrumentos de sopro com o mesmo vigor de um uruk-hai nas forjas de Isengard. Assim sendo, doravante passarei a chamá-lo de Peter 'ADAMANTIUM LUNGS' Brötzmann.

Na apresentação de ontem à noite no agradabilíssimo estúdio Audio Rebel (Botafogo - Rio de Janeiro), o público presente pôde constatar que permanecem intactos os poderes do ciclope germânico como magnetizador do fogo dos deuses; grão-mestre da sustained sonic obliteration; monstrorum artifex da matéria sonora em combustão espontânea; não é preciso, pois, recorrer a artifícios condescendentes como 'lenda viva' ou outras asneiras do mesmo naipe para apreciar o cidadão. De resto, vale sempre frisar que o negócio aqui não é roquinho mequetrefe-geriátrico ou jazzinho emasculado de sala de espera de consultório médico não, putada... É, pelo contrário, uma verdadeira FORÇA DA NATUREZA.

Pois em verdade vos digo, meus filhos: o que tivemos hoje no outrora aristocrático, mas ainda excelso bairro da zona sul carioca, foi Sturm und Drang de primeiríssima ordem. Brötzmann, claro está, dispensa maiores considerações: é um monólito titânico e incomparável de fúria, paixão, caos e lirismo, ionizando a atmosfera com seus leads e solos flamejantes; ou, em outras palavras: é como se as esquadrilhas de Ju 87, Heinkel He 111, Dornier Do 17 e outras valquírias de aço da Legion Condor se amalgamassem num só homem para pulverizar a Guernica das convenções estéticas habituais do jazz.

E a seção rítmica que com ele forma o trio Full Blast também é avassaladora: o baixo pesadíssimo, hiper-saturado e explodindo em tonitruantes frequências graves de Marino Pliakas inequivocamente pertence à ínclita linhagem de figuras como Brian Gibson, Alain Ballaud, Bernard Paganotti e outras deidades lovecraftianas em forma de músico, capazes de transformar as quatro cordas em legítimas armas de destruição em massa; o baterista Michael Wertmüller, por seu turno, com suas viradas à velocidade da luz e explosões concentradas de fuzilaria percussiva, é uma divisão Panzer entrando de sola no gueto de Varsóvia no mais puro estilo none will survive / take no prisoners full mode ON.
Enfim, caríssimos: um evento inolvidável, arrebatador, emocionante, transcendente. Quem viu, viu; e quem não viu, que vá chorar na cama que é lugar quente.

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Ten. Giovanni Drogo 

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

terça-feira, julho 05, 2016

Dubadelic: considering Time as officially...ended...

Alphonse van Worden - 1750 AD




The cross was a mushroom... and the mushroom was also the Tree of Good and Evil... the philosophical stone of the alchemists was LSD... the Book of the Dead is a trip... the Holy Trinity begins with an opium poppy... and the gnostic gospels describe a mescaline experience... 

The whole Universe is nothing but... a superstition... and every reality is... only an opinion, which turns out be... the high point of nothingness dissolved at the inner void of the SACRED...

The Blessed SOUND of... NOTHING... being dissolved in a swirling, ever evolvin' and never stoppin' neverness of... mystic SOUND...

Yeah, man, you need that bad... fuck all the frequencies, blur all the images, pump up the brain machine, melt your synapses, blow your mind and... turn on, tune in, drop out...

No, this is not the beggining, but only... the END...?

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Enfim, caríssimos confrades... sabem o momento exato em que o reggae deixa de ser reggae , abandonando voz, melodia, sopros e outros instrumentos melódicos para concentrar-se tão somente na hipnose gerada pela sagrada aliança baixo/bateria, multiplicada ad infinitum em progressão geométrica por sucessivos e cumulativos efeitos de eco, que ricocheteiam uns contra os outros em tonitruante crush collision , reverberam sobre si mesmos e voltam a reproduzir-se indefinidamente em crescente atmosfera de desorientação sônica, gerando novas galáxias turbilhonantes de hipnose rítmica? Acrescente-se a isso samples alienígenas, efeitos eletrônicos estratosféricos e uma atmosfera de caos alucinógeno e o resultado é DUBADELIC. Take it at your own risk, folks, you've been advised
...





domingo, junho 12, 2016

OS HERDEIROS DA TERRA - Gabriel Schmitt




Caros irmãos d'armas: 

Como bem sabeis, as solitárias vigílias cá no Bastiani não raro se revestem dos mais astrosos sobretons. Sob os de Selene ominosos e infrenes eflúvios, pelo tártaros aguardamos, noite após noite, madrugada após madrugada, em espetral silêncio mergulhados, de maiores expetações já destituídos, a matar e a morrer resignados, pois este é o nosso inexorável fado...  

Eis então que o ordenança me entrega uma missiva, a mim dirigida pelo diletíssimo confrade Alphonse van Worden, contendo um poema em prosa lavrado pelo estro de Gabriel Schmitt, núpero e promissor cadete das Legiões Transfinitas; é obra de vigorosa malgrado cuidadosa ourivesaria, prenhe de imagens poderosas e profundas cavilações; desejo, pois, que mediteis atentamente a propósito dela.   

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Ten. Giovanni Drogo 

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

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OS HERDEIROS DA TERRA 


Gabriel Schmitt

*

Terror! Um horizonte incandescente de infinito terror!
Adiante os estandartes do nosso libertador terrorismo.
Que faz tremer em sincero temor nosso torpe inimigo?

*

Tenacidade! Isto é uma fortaleza de sentinelas, cavaleiros e soldados!
Lunáticos idealistas de sentidos aguçados em vigília intermitente perambulando pelas ruelas de uma cidade sombria.
Devemos realmente resistir a tentação de derramar óleo fervente nos invasores?

*

Tirania! Instauremos o sagrado teísmo da teocracia!
O fútil teatro da democracia extirparemos com os tiros dos fuzis.
Sem titubear deceparemos a cabeça da democracia ocidental?

*

Tragicomédia! Tremulou a bandeira velha do vil cadáver!
Este jaz com a cabeça guilhotinada e os ossos trincados.
Iremos guarda-la numa tétrica tigela e oferta-la a tórridas hordas?

*
Teorias! Inúteis e melindrosas fluindo através do rio da morte!
Esquecidas, mutiladas e jogadas em tenebrosas caldeiras.
Existe alguém para incinera-las nas termas de fogo do inferno?

*
Treva! Eis o destino final do outrora dito invencível inimigo!
Uma tumba desolada e inabitada a qual sol algum jamais tocou.
Rodeada por tímidos e esparsos tributos de velhos cegos?

*
Testemunhem! Uma nova terminologia construída a partir das ruínas decadentes!
Signos solares e símbolos lunares trançados como numa bela cabeleira de mulher.
Formosos troféus em marcha rumo a eternidade transfinita?

*

Teologia! Sem tréguas ou tratados nossas tensões extinguimos!
A tez límpida vislumbra com olhos fixos o absoluto.
Quem deve se tornar herói que irá nos guiar para fora da caverna?

*
Terra! Eis o solo santificado à nossa espera desde os mais prístinos tempos!
Dançaremos ao redor da fogueira do alvorecer ao anoitecer embalados pelo som da música das esferas.
O pão, o vinho, as arvores, o azeite, a oliveira, o crescente, a tocha, a cruz, os monges, os comuns, quantos virão conosco?

*

Que importa? No fim seremos nós a herdar a terra.

quinta-feira, março 24, 2016

Epistolário Transfinito V (excertos...)

Alphonse van Worden - 1750 AD





Desejo sentir a morte, a destruição, o horror e o kaos pulsando em minhas veias, consumindo minha alma, exaltando minha vontade...

Desejo incinerar cidade atrás de cidade, vila atrás de vila, aldeia atrás de aldeia, até que delas nada mais reste senão montículos de cinzas fumegantes...

Desejo massacrar centenas de milhares de civis inocentes, até que deles nada mais reste senão pilhas de ossos calcinados...

Desejo torturar dezenas de milhares de prisioneiros de guerra, até que deles nada mais reste senão postas de carne exangues...

Ibant obscuri sola sub nocte per umbram...

sábado, fevereiro 06, 2016

Breve receita para criar um país digno




 A polícia deve bater nos vagabundos;

- o povo honrado e trabalhador deve bater nos policiais a soldo da opressão capitalista;

- e todos juntos, até mesmo os vagabundos, devem bater nos olavetes, esquerdistas pós-modernos e liberais. 

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Ten. Giovanni Drogo 

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros