sábado, outubro 03, 2009

A propósito de Sheykh Osama Bin Muhammad Bin Laden

Alphonse van Worden - 1750 AD






Encerrada a leitura de dois compêndios que compilam os principais pronunciamentos e manifestos de autoria de Sheykh Osama Bin Muhammad Bin Laden entre 1994 e 2006, pretendo avançar aqui algumas considerações, não tanto a propósito das questões pontuais abordadas pelo líder saudita, mas sim a respeito do universo espiritual e ideológico mais abrangente em que as idéias e perspectivas esposadas por Bin Laden a meu juízo se inserem.

Isto posto, gostaria preliminarmente de fazer uma observação de cunho estilístico: na medida em que é possível avaliar a excelência literária de qualquer autor através d'uma tradução em que a 'língua de partida' e a 'língua de chegada' são tão díspares (árabe e inglês), é mister salientar as óbvias qualidades de estilo presentes nos textos de Bin Laden. Sua escrita é altaneira, altissonante e majestosa, espraiando-se por períodos límpidos e cristalinos, a um só tempo caracterizados pela imagética exuberante recorrente nos clássicos da literatura islâmica, bem como pela concisão epigramática dos melhores textos de agitação política do Ocidente (cf. Robespierre, Saint-Just, Lenin, Mussolini, etc.). Trata-se, portanto, d'uma escritura que hipnotiza tanto pela beleza flamejante de suas audaciosas metáforas quanto por sua invejável capacidade de síntese; por fim, há que salientar o hábil emprego d’um vasto arsenal de estratégias de persuasão psicológica, bem como o impressionante senso de oportunidade que o comandante mujahid demonstra ao escolher o tom exato para cada parcela da opinião pública que tenciona atingir em suas diferentes intervenções.


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As perspectivas advogadas por Bin Laden, não exatamente no que se refere a seu conteúdo específico, mas, sobretudo, no que tange o ethos arcano que encarnam, reverberam inequivocamente o universo do Traditionswelt descrito por autores como o italiano Julius Evola. Trata-se, com efeito, da visão de mundo de um homem que vai decididamente de encontro ao caráter utilitário, pragmático e 'quantificável' da modernidade, em nome dos valores perenes d'uma Ordem transcendente, atemporal. É, portanto, a contraposição essencial, transfigurada em conflito político, entre a dimensão contingente, transitória, cambiável e finita do TEMPO e a esfera necessária, permanente, imutável e infinita da ETERNIDADE; ou então, nos termos d'uma belíssima declaração do líder taliban, Mullah Omar ("Não tememos a morte, pois já estamos mortos; assim sendo, combatemos no Tempo, mas vivemos na Eternidade"), do confronto entre 'guerreiros santos' sublimados pela lux aeterna da Tradição, e vacilantes 'homens ocos' (apud TS Eliot) sob a égide do materialismo espiritual do Ocidente contemporâneo, seres avessos ao substrato mítico e religioso que lastreia seus alicerces históricos e culturais, em ruptura flagrante com as raízes mais atávicas de sua própria existência. Poderíamos aqui recorrer, confirmando a hipótese evoliana a propósito da unidade vital entre as diversas esferas da Tradição, às palavras de um guerreiro proveniente d'um universo cultural de todo distinto do de Bin Laden, o samurai Yamamoto Tsunetomo (1659 - 1719): “Todos os dias, sem falta, devemos nos considerar mortos. Existe um ditado dos antigos: ‘Saia de baixo do beiral do telhado, e você é um homem morto. Saia pelo portão e o inimigo está esperando’. Não é questão de ser cuidadoso. É considerar-se morto de antemão”. Em outras palavras: aqueles que combatem na Eternidade, isto é, cuja guerra assume uma dimensão cósmica, destarte transcendendo todos os limites do espaço-tempo, não podem ser derrotados pelos escravos do 'Reino da Quantidade', das sombras voláteis e fugidias do ‘Agora’, submetidos ao fluxo errático e transitório do Tempo. Consoante Evola a define, trata-se, sobretudo, da revolta sagrada do sentido atávico da existência contra os falsos ídolos da razão, cujo móvel seria aniquilar qualquer anseio por realização espiritual na alma do homem contemporâneo. Tal perspectiva, que predica a nobreza do espírito ascético do ‘Aristocrata de Espírito’ em meio à desintegração política, moral e cultural, sob a égide das ideologias iluministas, da civilização ocidental é, vale dizer, sintetizada à perfeição num dos mais incisivos ensaios do autor italiano, Orientações (1971): "No sentido espiritual, existe efetivamente algo que pode servir como orientação para as nossas forças de resistência e de revolta: este algo é o espírito legionário. É a atitude de quem sabe escolher o caminho mais duro, de quem sabe combater mesmo sabendo que a batalha está materialmente perdida, de quem sabe reviver e revalidar as palavras da antiga saga nórdica: «A fidelidade é mais forte do que o fogo»."


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Não seria desarrazoado especular que ínclitos apóstolos da 'Revolução Conservadora', tais como Julius Evola, Gottfried Benn ou Ernst Jünger, fossem incapazes de compreender a real dimensão d'uma figura histórica como Bin Laden; afinal de contas, mesmo homens de gênio são permeáveis aos condicionamentos ideológicos de seu tempo. Não obstante, ouso afirmar que um pensador como Aleksandr Dugin, por exemplo, livre do reducionismo conceitual gerado por uma clivagem ideológica que hodiernamente não faz mais sentido - a dicotomia clássica entre 'esquerda' / 'direita' -, está apto a entender que Bin Laden é hoje um elemento axial na articulação política d'uma nova síntese dinâmica entre, por um lado, as sempiternas e vivificantes raízes da Tradição e, por outro, a miríade de perspectivas, à ‘esquerda’ e à ‘direita’, do antilberalismo e anticapitalismo. Vale sublinhar, aliás, que o próprio líder mujahid percebe com clareza, ainda que por vias distintas (notadamente em sua virulenta crítica à adoção, por parte de certos ulema e imams na Arábia Saudita e outros países muçulmanos, de esquemas conceituais oriundos da mentalidade laica da intelligentsia ocidental pós-iluminista), a essência primordial da tragédia política moderna: o conflito entre capitalismo e comunismo, liberalismo e marxismo, é a guerra fratricida entre dois 'grandes irmãos', incontrastável manifestação da contenda ancestral entre as duas cabeças de Janus, as duas grandes emanações da razão iluminista convertida em deidade secular, enquanto a Tradição, verdadeira inimiga de ambos, ausentava-se da ribalta histórica a partir de fins do século XVIII. A esse respeito, a famosa tese advogada pelo cientista político norte-americano Samuel Huntington a propósito da natureza do conflito central da contemporaneidade, cujo locus privilegiado seria a dicotomia Ocidente / Oriente, não passa de um espantalho, um 'cavalo de tróia', a ocultar, se calhar deliberadamente, a natureza essencial do conflito em tela, ou seja, que envolve o ressurgimento do ethos tradicional como força política atuante. Assim sendo, o antagonismo não é geográfico, nem tampouco político ou cultural; é, ao contrário, de índole ESPIRITUAL, no sentido mais profundo do termo.


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Tendo em vista o quadro de referência acima esboçado, o célebre '11 de Setembro' constitui, quero crer, uma manifestação concreta e inequívoca da 'revolta contra o mundo moderno' evoliana; e tal 'revolta' não é de forma alguma apanágio exclusivo do Oriente, tal como pretendem certos intérpretes ‘culturalistas’, mas se inscreve na esfera universal da TRADIÇÃO. Com efeito, a crença de que há uma dimensão superior ao mero devir temporal, de que o tempo, como diria Platão no Timeu, é apenas "a imagem móvel da Eternidade", alimenta o fulgor sagrado daqueles que se vêem investidos nas lides da guerra santa contra a pseudoconsciência fugaz e fragmentária da modernidade. Por um lado, a magnífica operação de jihad capitaneada por Sheykh Bin Laden demonstrou que a força impertérrita duma convicção ancestral pode superar o poder temporal do 'Reino da Quantidade', ou seja, que o pretensamente inexpugnável moloch não é invencível; e por outro, que é possível atuar politicamente no mundo contemporâneo sem submeter-se aos desígnios perecíveis do TEMPO, mas sim estando sob a égide rutilante da ETERNIDADE. O '11 de Setembro' é, portanto, uma demonstração cabal e insofismável de que toda a potência tecnológica e militar do 'Império’, onde a guerra é encarada tão somente como instrumento de acumulação de poder material, não pôde resistir à sempiterna e serena força daqueles que compreendem a guerra como esfera de realização espiritual e sublimação do que há de mais nobre e heróico na natureza humana. E mesmo que por ora tal pureza de convicção seja eventualmente apanágio de poucos, vale aqui rememorar a supina divisa de Santo Atanásio: “Se o mundo estiver contra a verdade, então Atanásio estará contra o mundo!”. Destarte, ao homem plenamente plena e visceralmente convicto da divina sabedoria das Leis Eternas não importa o vozerio fátuo e volúvel das multidões, pois ele detém o Caminho, enquanto todos os demais, plenos de orgulhosa insensatez e fátuas, ‘certezas’ fátuas, em verdade vagueiam perdidos por um orco de trevas.


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Impõe-se, neste momento, a seguinte indagação: por que as emproadas ‘democracias’ ocidentais manifestam tamanho temor em relação a movimentos como a Al Q’aida, o Hamas ou o Hizbollah? A resposta não passa apenas, como soem proclamar os corifeus da ‘guerra ao terror’ (pouco importa se ‘republicanos’ ou ‘democratas’), por meras questões de segurança e estratégia, mas atinge, na verdade, um plano muito mais recôndito e fatal, vale dizer, a terrível e generalizada crise que o Ocidente atravessa em praticamente todos os seus sistemas de crença. Decerto não falo aqui das hordas ignaras de sequazes do tele-evangelismo, por exemplo, ou de outros opiáceos pseudo-espirituais do mesmo jaez, mas sim das elites políticas e intelectuais do Ocidente, ou seja, daqueles que efetivamente têm nas mãos as rédeas de nossas 'democracias'. Ora, sabemos todos que nossas elites estão cada vez mais céticas, cada vez mais destituídas de qualquer convicção profunda, cada vez menos seguras de si mesmas; em contraposição à essa dinâmica, temos em figuras como Osamma Bin Laden um estado de certeza plena, peremptória e inexorável a propósito de seus mais recônditos desígnios. A modernidade vacilante, descrente de si mesma, irreversivelmente submetida à precariedade da lógica temporal, incapaz de gerar qualquer estratégia discursiva nova de legitimação, não pode vencer os que "combatem na Eternidade". Como diria mestre Dugin: "É o retorno dos Arcanjos, a ressurreição dos Heróis, a revolta do Coração contra a ditadura da Razão."


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É forçoso também fazer uma consideração sobre as eventuais ressalvas que certos vetustos senhores, muito ciosos da ‘pureza’ imaculada dos valores perenes da Tradição, levantam a propósito da ‘heterodoxia’ das concepções religiosas de Bin Laden... sejamos francos, meus caros: que importa se a 'teologia política' de Bin Laden é ou não 'ortodoxa'? O que importa é que ela reverbera, sim, valores tradicionais, sobretudo no que se refere à perspectiva de agir politicamente não em nome de circunstâncias transitórias, reivindicações conjunturais (de ordem classista, nacionalista ou regionalista) ou de valores puramente 'ideológicos', mas sim em nome d'uma esfera de transcendência que ultrapassa a História e o próprio Tempo para consubstanciar-se na Eternidade. Assim sendo, o exemplo de Bin Laden é válido como demonstração da força d'uma convicção transcendente contra os imperativos pragmáticos de poderes políticos em crise terminal de legitimidade. Seria, pois, de bom alvitre que os supracitados ‘custódios’ da Tradição lessem, ao menos por ora, mais Dugin e menos Guénon...


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Por fim, uma observação a propósito d’um aspecto pouco abordado, mas de grande relevância, a propósito de nosso personagem: muito embora o eixo de gravidade da formação ideológica de Bin Laden seja a leitura do Islã político feita por pensadores wahabbitas ‘heterodoxos’ (mormente os irmãos egípcios Sayyid e Muhammad Qutb, bem como o palestino Abdallah Azzam, todos militantes da Fraternidade Muçulmana), depreende-se claramente da leitura de seus textos que o Sheykh saudita está muitíssimo bem informado a respeito do pensamento político contemporâneo no Ocidente; destarte, através do emprego de certos termos, bem como da natureza de certas reflexões, encontramos os ecos d'uma ampla plêiade de pensadores: de Noam Chomsky a Samuel Huntington, passando por Francis Fukuyama, Anthony Giddens, Michael Parenti, Antonio Negri, Michael Hardt, etc. Bin Laden está plenamente equipado, portanto, para uma análise em alto nível da geopolítica mundial, lide a que amiúde se dedica com grande clareza, lucidez e descortino crítico, surpreendendo assim os que o têm na conta de um 'fanático' religioso primitivo.




SMETRAK! (D'aprés Mestre Lívio Tragtenberg)





"O fim da fala ainda não é o início do silêncio."

"(...) E vivemos numa época tão problemática e apocalíptica. É preciso uma orientação. Salve-se quem souber, porque poder, ninguém poderá mais."



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Bem, o que falar a propósito do suiço (radicado no Brasil desde 1937) Anton Walter Smetak (1913-1984), esse assombroso compositor, multiinstrumentista e xamã psicossônico? Tão somente este ano dediquei maior à atenção a seu legado, e tal experiência foi uma REVELAÇÃO, uma verdadeira EPIFANIA.

Há tempos, pois, excelsos confrades, venho laborando na cabeça um pedaço d'escrita em homenagem a esse gênio, e não conseguia redigir uma linha sequer... se calhar em virtude da constatação de que o efeito suscitado pela música de Smetak não se presta à descrição verbal ou, melhor dizendo, à expressão de significados através d'um ordenamento lógico-demonstrativo. À maneira do poeta russo Velimir Khlebnikov, que criou uma linguagem 'transmental' para expressar os infindos universos do inconsciente cósmico, a obra de Smetak se propaga através d'uma galáxia semântica suprarracional, onde o rigor das definições precisas e paradigmas conceituais não logra dar conta da multiplicidade de perspectivas envolvidas na formulação / execução da mesma.

Malgrado empregue procedimentos inovadores no âmbito da tradição ocidental (como o amplo uso da microtonalidades, por exemplo), a sensação que experimentamos ao ouvir o trabalho de Smetak é o inefável amálgama entre êxtase e horror sagrado que tão somente algo sobremaneira ARCANO, além da própria aurora das eras glaciais, e até mesmo fora do limites do TEMPO e do ESPAÇO, é capaz de conjurar. Suas composições, com efeito, parecem desenterrar os rumores abissais de sonoridades pré-históricas ocultas no 'coração das trevas' brasileiro, para então fundi-las em seu 'forno alquímico' com o que possa haver de mais ousado e surpreendente em termos de música experimental. 

Se há, pois, uma música que poderia ser classificada como 'ritualística', trata-se efetivamente da música smetakiana, ao transportar o ouvinte para dimensões ignotas, galáxias oníricas pairando no KOSMOS da Irrealidade, esferas transcendentes que o pensamento racional não pode abarcar.

Ficai, enfim, confrades, com alguns registros dos 'instrumentos-escultura' / 'plásticas sonoras' criados por Smetak:









































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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

quinta-feira, outubro 01, 2009

Breve nota a propósito da venerável nação japonesa





































Ó áticos armígeros:

Gostaria hoje de falar-vos a propósito do brundúsio labéu que há já mais de cinco décadas avilta a História do outrora indômito e altaneiro 'Arquipélago do Sol Nascente’: o ignominioso estado de submissão no tocante aos EUA, como se um reles cão fosse, o rabo abanando e as mãos do dono lambendo.

Trágico, oprobrioso fado para essa nação de extraordinárias tradições (a arcana sabedoria das doutrinas shintō e zen / a mirífica sutileza de seus haikai /as diáfanas, quase celestinas texturas da pintura suibokuga) e feitos memoráveis ( tais como as vitórias da Marinha Imperial japonesa em Port Arthur e Tsushima , por exemplo, ambas por ocasião da guerra russo-japonesa de 1904 / 1905, triunfos veramente magníficos, até hoje admirados e estudados em História Militar; pátria da a um só tempo serena disposição d'alma e vigorosa disciplina militar do Bushidō (武士道); berço de Yamamoto Tsunetomo, Miyamoto Musashi, Matsuo Bashō, Sadao Araki, Kita Ikki, Hiroyoshi Nishizawa, Hideki Tōjō e tantos outros insignes próceres, guerreiros, pensadores e poetas, que com tanta nobreza, honradez e galhardia, à perfeição encarnaram a 'Aristocracia do Espírito' preconizada por Ernst Jünger e Julius Evola...

Toda esta miríade de glórias e lauréis hodiernamente reduzida a que? À reles condição de fabriqueta de estúpidas quinquilharias eletrônicas, onde o que antes era comprometimento existencial e férrea têmpera é hoje, em clave meramente protocolar, simbolismo vazio de significados e vulgar pantomima sem real substância.

Ominosa também, a meu ver, a sempiterna rivalidade existente entre Japão e China, se calhar a mais visceralmente trágica, absurda e estúpida cizânia entre duas nações em toda a História... Santo Cristo, espiritual e culturalmente o Japão é um rebento do 'Império do Centro', e se irmanados estivessem, ah!, fariam estremecer a própria superfície da Terra! Destarte, confrades, a primeiríssima coisa que chineses e japoneses deveriam fazer era arquivar d'uma vez por todas esse trágico e estólido dissenso milenar, tendo em vista a existência d'uma unidade primordial entre ambos, algo que transcende a índole transitiva da História para plasmar-se na Eternidade dos arquétipos e símbolos arcanos.

Há, pois, que passar da geopolítica para a 'geografia sagrada', da superfície dos eventos efêmeros para as águas profundas da Tradição, com o óbvio contributo do que há de positivo na ciência e na tecnologia. Eis, vale dizer, a essência supina da GRANDE SÍNTESE.

Enfim, excelsos irmãos d’armas, se devidamente equipado em termos de armamento moderno, e com sua casta militar novamente imbuída das excelsas tradições do Bushidō, o Arquipélago do Sol Nascente tornar-se-á uma força temível.

Oxalá um dia o Japão possa reencontrar o augusto destino que lhe cabe no concerto das nações...!

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Por fim, ínclitos irmãos d'armas, vede que portento de coragem, nobreza d'alma e espírito marcial constitui o Código de Honra dos samurais, que integra a tradição do 武士道 desde o século XII:

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais.

Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.

Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.

Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.

Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.

Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.

Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.

Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.

Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.

Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.

Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha
estratégia.

Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos.

Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.

Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.

Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.

Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.

Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.

Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.

Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.

Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.
























Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros