sábado, outubro 03, 2009

SMETRAK! (D'aprés Mestre Lívio Tragtenberg)





"O fim da fala ainda não é o início do silêncio."

"(...) E vivemos numa época tão problemática e apocalíptica. É preciso uma orientação. Salve-se quem souber, porque poder, ninguém poderá mais."



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Bem, o que falar a propósito do suiço (radicado no Brasil desde 1937) Anton Walter Smetak (1913-1984), esse assombroso compositor, multiinstrumentista e xamã psicossônico? Tão somente este ano dediquei maior à atenção a seu legado, e tal experiência foi uma REVELAÇÃO, uma verdadeira EPIFANIA.

Há tempos, pois, excelsos confrades, venho laborando na cabeça um pedaço d'escrita em homenagem a esse gênio, e não conseguia redigir uma linha sequer... se calhar em virtude da constatação de que o efeito suscitado pela música de Smetak não se presta à descrição verbal ou, melhor dizendo, à expressão de significados através d'um ordenamento lógico-demonstrativo. À maneira do poeta russo Velimir Khlebnikov, que criou uma linguagem 'transmental' para expressar os infindos universos do inconsciente cósmico, a obra de Smetak se propaga através d'uma galáxia semântica suprarracional, onde o rigor das definições precisas e paradigmas conceituais não logra dar conta da multiplicidade de perspectivas envolvidas na formulação / execução da mesma.

Malgrado empregue procedimentos inovadores no âmbito da tradição ocidental (como o amplo uso da microtonalidades, por exemplo), a sensação que experimentamos ao ouvir o trabalho de Smetak é o inefável amálgama entre êxtase e horror sagrado que tão somente algo sobremaneira ARCANO, além da própria aurora das eras glaciais, e até mesmo fora do limites do TEMPO e do ESPAÇO, é capaz de conjurar. Suas composições, com efeito, parecem desenterrar os rumores abissais de sonoridades pré-históricas ocultas no 'coração das trevas' brasileiro, para então fundi-las em seu 'forno alquímico' com o que possa haver de mais ousado e surpreendente em termos de música experimental. 

Se há, pois, uma música que poderia ser classificada como 'ritualística', trata-se efetivamente da música smetakiana, ao transportar o ouvinte para dimensões ignotas, galáxias oníricas pairando no KOSMOS da Irrealidade, esferas transcendentes que o pensamento racional não pode abarcar.

Ficai, enfim, confrades, com alguns registros dos 'instrumentos-escultura' / 'plásticas sonoras' criados por Smetak:









































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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

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