quinta-feira, novembro 01, 2007

Breve nota sobre a estupidez anticlerical

Alphonse van Worden - 1750 AD






Excelsos irmãos d'armas!

Amiúde vemos, aqui e alhures, psitacídeos anticlericais que, faltos d’uma argumentação minimamente consistente e coerente, vivem a trouxe-mouxe atacando a Igreja por dá cá aquela palha; disparando toda sorte de estultícias e parvoíces, e não raro recorrendo aos mais grosseiros chistes e patranhas, chegam às raias do mais rompante irracionalismo e da mais solerte ignorância ao torpemente negarem o óbvio ululante: a ingente, decisiva importância da Igreja para a civilização ocidental! Destarte, o móvel desta breve nova é demonstrar quão estólidas e disparatadas são tais cavilações.

A importância e influência da Igreja são de tal monta que não há, com efeito, sequer como propriamente mensurá-las com precisão, que dirá avaliá-las em detalhe... basta assinalar, creio eu, que o próprio 'Ocidente' (ou, caso prefiram, a 'civilização' / 'cultura' ocidental), essa grande síntese dialética entre as tradições greco-romana e cristã, é obra forjada pela Igreja.

Na medida, pois, em que a Igreja forjou a grande síntese entre as tradições greco-romana e cristã, e com isso criou a própria noção de 'Ocidente', bem como os alicerces de nossa civilização, ela fatalmente condiciona e determina todo o nosso universo conceitual. De maneira que o indivíduo ocidental, mesmo rompendo com a Igreja, permanece nos marcos do processo civilizacional que a Igreja instaurou. Ou seja, até mesmo para se posicionar contra a Igreja, o sujeito provavelmente terá de recorrer a um aparato conceitual que, em larga escala, foi gestado sob a égide da própria Igreja... ou seja, não há escapatória: mesmo contra a Igreja, estais inelutavelmente dentro dela! Aliás, vale também relembrar que ao longo dos séculos a Igreja tem acompanhado, em irônica e silente contemplação, as exéquias de inúmeros de seus pretensos coveiros...

De resto, a influência da Igreja é de tal modo multifacetada e abrangente, de tal maneira complexa e pervasiva, que se manifesta mesmo nos contextos aparentemente mais insuspeitos... desejais um exemplo? Sabeis qual foi uma das maiores influências de Lenin em sua concepção de partido revolucionário? Ninguém mais ninguém menos que Íñigo López de Loyola (1491 - 1556), mais conhecido como Santo Inácio de Loyola, fundador da Societatis Iesu, a celebérrima Ordem Jesuíta, assombrai-vos! Lenin tinha grande admiração pelos métodos de Loyola, que serviram como modelo de organização e código de conduta para a Companhia de Jesus, sem dúvida a mais disciplinada, aguerrida e eficaz ordem da história da Igreja Católica, os 'soldados da Igreja'. Assim sendo, Ullianov modelou o regimento interno do Partido Bolchevique, sobretudo em seu aspecto de máquina partidária monolítica e disciplinada, bem como integrada por revolucionários 'profissionais', a partir dos ordenamientos de Loyola.

Vede, portanto, diletos confrades, que esplêndida e emblemática ironia: o ínclito 'santo guerreiro' exerceu significativa influência sobre a obra mais importante do famígero ateu materialista que fundou o bolchevismo e liderou a primeira revolução proletária da História!

2 comentários:

fg disse...

inteiramente de acordo,acabei de descobrir o seu blog
parabens

Alphonse disse...

Obrigado, confrade!