segunda-feira, janeiro 02, 2006

Dark Magus Übber Alles! - II




Conforme já havia sublinhado anteriormente, desde 1969, quando decidira bagunçar de vez o coreto jazzístico, implodindo os alicerces do gênero com Bitches Brew, nosso almighty Miles incrementaria o impacto de sua última e mais estupenda revolução estilística disco após disco, até chegar ao ápice da subversão elétrica of all things jazzy durante o biênio 1974-75, cujo primeiro resultado seria justamente o álbum que doravante passaremos a considerar.

O que dizer, portanto, a propósito de mais este devastador ICBM de desorientação sônica in extremis urdido pelo infernal Miles, himself o insuperável e único 'Dark Magus'? À semelhança de Agharta, seu luciferino congênere, Dark Magus (que registra uma apresentação ao vivo no Carnegie Hall em NY) é mais um maremoto de galáxias circungirantes de psych jazz estelar colidindo com vudu percussivo funk e estratosféricas alucinações de acid rock diretamente from the harrowing chasm of everlasting sonic madness, mefistofélica saturnália pagã conjurada por Miles em 'Hierofante do Caos full mode on', para evocar Baphomet e suas avantêsmicas hordas de íncubos demoníacos sob o eflúvio de miasmas lunares na floresta do alheamento transpsicodélico.

Como amiúde sói acontecer com obras deste jaez, uma análise faixa por faixa revelar-se-ia fátuo mister; assim sendo, o que se pode fazer é uma tentativa de evocar a atmosfera que emana deste blasfemo e inebriante ritual cabalístico-musical.

Capitaneando a tonitruante fuzilaria de metais a jato, o anfetamínico Maldoror do jazz from hell converte seu trompete em sirene hipercinética despejando rajadas sucessivas de uivos eletromagnéticos, enquanto o oceano radioativo de drones magmáticos emitidos por seu órgão elétrico erige a muralha orquestral; os saxofones de Lawrence e Liebman incrementam a blitzkrieg psicossônica vociferando all over the place uma miríade de exclamações assimétricas; running the voodoo down, a luciferina trinca Cosey-Gaumont-Lucas opera suas guitarras elétricas como uma implacável cortina de lança-chamas em razzias espasmódicas, incinerando tudo à sua volta; por fim, Henderson emoldura esta estraçalhante usina de força com seu baixo borbulhante, e Al Foster e Mtume seguram tudo no background disparando morteiros percussivos aos borbotões para propelir a frenética garage hermétique milesiana à frente, "sedenta de horizontes e presas siderais" (apud Marinetti) em direção às mais ignotas e inauditas paragens.

E isto é tudo, meus filhos: apertem os cintos, coloquem seus capacetes, cruzem os dedos, façam suas orações and enjoy the wild ride!






Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

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