quinta-feira, junho 20, 2002

A Oeste de Kandahar...

Alphonse Van Worden - 1750 AD























O que emerge na sibilina fímbria de meândricos horizontes, a oeste de Kandahar...? As veredas labirínticas da Sierra Morena se dissolvem nas miasmáticas muralhas do Bastiani, a oeste de Kandahar... e a Realidade dos páramos oníricos, onde a luz dos séculos se dissipa em reflexos evanescentes no cintilar de um instante, onde o que está sendo, e que logo terá sido, se desvela cíclica e inelutavelmente no vórtice caleidoscópico do É primordial e perene, a oeste de Kandahar... onde a morte tem o mesmo sobrenome que o sonho, mas nós ignoramos este sobrenome; e o sono é um breve exercício da morte, que também é sua irmã, mas nem todo irmão e irmã são igualmente próximos, a oeste de Kandahar... onde, nas infindas elipses de suas epifanias sensoriais, Emina e Zibedea enovelam-me, evocando a melancolia lunar de Maria Vescovi, e as lemurais hordas tartáricas precipitam-se em sua cavalgada sepulcral sob a égide de Zoto, o Enforcado, mas a meditar continuo, vagando pelos iridescentes planaltos quiméricos a oeste..., sim, a oeste de Kandahar... onde aquele que entender que seu dia é apenas a noite de um outro, que seus dois olhos são os reflexos oscilantes também de outros, seguirá a trilha que permite o verdadeiro despertar de sua própria Realidade, exatamente como se peregrina nos sonhos, a oeste de Kandahar... onde, à sombra cinérea de diáfanos, fantasmáticos fragmentos de batalhas ancestrais, Amir ul-Momineem, 'Líder dos que Crêem', Áureo Senescal das Legiões Quânticas, abençoa e inspira nossos passos, a oeste de Kandahar... onde o austero Ten. Drogo, venerável confrade nas colossais refregas Transfinitas, contempla os aerófanos crepúsculos que se diluem ao retinir de fádicos clarins nas planícies outonais, e da nacarada policromia de brumas nos contrafortes do Bastiani, sonha com rutilantes miríades de argênteos falcões, a oeste de Kandahar...

(continuará...?)

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