sábado, outubro 03, 2009

A propósito de Sheykh Osama Bin Muhammad Bin Laden

Alphonse van Worden - 1750 AD






Encerrada a leitura de dois compêndios que compilam os principais pronunciamentos e manifestos de autoria de Sheykh Osama Bin Muhammad Bin Laden entre 1994 e 2006, pretendo avançar aqui algumas considerações, não tanto a propósito das questões pontuais abordadas pelo líder saudita, mas sim a respeito do universo espiritual e ideológico mais abrangente em que as idéias e perspectivas esposadas por Bin Laden a meu juízo se inserem.

Isto posto, gostaria preliminarmente de fazer uma observação de cunho estilístico: na medida em que é possível avaliar a excelência literária de qualquer autor através d'uma tradução em que a 'língua de partida' e a 'língua de chegada' são tão díspares (árabe e inglês), é mister salientar as óbvias qualidades de estilo presentes nos textos de Bin Laden. Sua escrita é altaneira, altissonante e majestosa, espraiando-se por períodos límpidos e cristalinos, a um só tempo caracterizados pela imagética exuberante recorrente nos clássicos da literatura islâmica, bem como pela concisão epigramática dos melhores textos de agitação política do Ocidente (cf. Robespierre, Saint-Just, Lenin, Mussolini, etc.). Trata-se, portanto, d'uma escritura que hipnotiza tanto pela beleza flamejante de suas audaciosas metáforas quanto por sua invejável capacidade de síntese; por fim, há que salientar o hábil emprego d’um vasto arsenal de estratégias de persuasão psicológica, bem como o impressionante senso de oportunidade que o comandante mujahid demonstra ao escolher o tom exato para cada parcela da opinião pública que tenciona atingir em suas diferentes intervenções.


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As perspectivas advogadas por Bin Laden, não exatamente no que se refere a seu conteúdo específico, mas, sobretudo, no que tange o ethos arcano que encarnam, reverberam inequivocamente o universo do Traditionswelt descrito por autores como o italiano Julius Evola. Trata-se, com efeito, da visão de mundo de um homem que vai decididamente de encontro ao caráter utilitário, pragmático e 'quantificável' da modernidade, em nome dos valores perenes d'uma Ordem transcendente, atemporal. É, portanto, a contraposição essencial, transfigurada em conflito político, entre a dimensão contingente, transitória, cambiável e finita do TEMPO e a esfera necessária, permanente, imutável e infinita da ETERNIDADE; ou então, nos termos d'uma belíssima declaração do líder taliban, Mullah Omar ("Não tememos a morte, pois já estamos mortos; assim sendo, combatemos no Tempo, mas vivemos na Eternidade"), do confronto entre 'guerreiros santos' sublimados pela lux aeterna da Tradição, e vacilantes 'homens ocos' (TS Eliot) sob a égide do materialismo espiritual do Ocidente contemporâneo, seres avessos ao substrato mítico e religioso que lastreia seus alicerces históricos e culturais, em ruptura flagrante com as raízes mais atávicas de sua própria existência. Poderíamos aqui recorrer, confirmando a hipótese evoliana a propósito da unidade vital entre as diversas esferas da Tradição, às palavras de um guerreiro proveniente d'um universo cultural de todo distinto do de Bin Laden, o samurai Yamamoto Tsunetomo (1659 - 1719): “Todos os dias, sem falta, devemos nos considerar mortos. Existe um ditado dos antigos: ‘Saia de baixo do beiral do telhado, e você é um homem morto. Saia pelo portão e o inimigo está esperando’. Não é questão de ser cuidadoso. É considerar-se morto de antemão”. Em outras palavras: aqueles que combatem na Eternidade, isto é, cuja guerra assume uma dimensão cósmica, destarte transcendendo todos os limites do espaço-tempo, não podem ser derrotados pelos escravos do 'Reino da Quantidade', das sombras voláteis e fugidias do ‘Agora’, submetidos ao fluxo errático e transitório do Tempo. Consoante Evola a define, trata-se, sobretudo, da revolta sagrada do sentido atávico da existência contra os falsos ídolos da razão, cujo móvel seria aniquilar qualquer anseio por realização espiritual na alma do homem contemporâneo. Tal perspectiva, que predica a nobreza do espírito ascético do ‘Aristocrata de Espírito’ em meio à desintegração política, moral e cultural, sob a égide das ideologias iluministas, da civilização ocidental é, vale dizer, sintetizada à perfeição num dos mais incisivos ensaios do autor italiano, Orientações (1971): "No sentido espiritual, existe efetivamente algo que pode servir como orientação para as nossas forças de resistência e de revolta: este algo é o espírito legionário. É a atitude de quem sabe escolher o caminho mais duro, de quem sabe combater mesmo sabendo que a batalha está materialmente perdida, de quem sabe reviver e revalidar as palavras da antiga saga nórdica: «A fidelidade é mais forte do que o fogo»."


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Não seria desarrazoado especular que ínclitos apóstolos da 'Revolução Conservadora', tais como Julius Evola, Gottfried Benn ou Ernst Jünger, fossem incapazes de compreender a real dimensão d'uma figura histórica como Bin Laden; afinal de contas, mesmo homens de gênio são permeáveis aos condicionamentos ideológicos de seu tempo. Não obstante, ouso afirmar que um pensador como Aleksandr Dugin, por exemplo, livre do reducionismo conceitual gerado por uma clivagem ideológica que hodiernamente não faz mais sentido - a dicotomia clássica entre 'esquerda' / 'direita' -, está apto a entender que Bin Laden é hoje um elemento axial na articulação política d'uma nova síntese dinâmica entre, por um lado, as sempiternas e vivificantes raízes da Tradição e, por outro, a miríade de perspectivas, à ‘esquerda’ e à ‘direita’, do antilberalismo e anticapitalismo. Vale sublinhar, aliás, que o próprio líder mujahid percebe com clareza, ainda que por vias distintas (notadamente em sua virulenta crítica à adoção, por parte de certos ulema e imams na Arábia Saudita e outros países muçulmanos, de esquemas conceituais oriundos da mentalidade laica da intelligentsia ocidental pós-iluminista), a essência primordial da tragédia política moderna: o conflito entre capitalismo e comunismo, liberalismo e marxismo, é a guerra fratricida entre dois 'grandes irmãos', incontrastável manifestação da contenda ancestral entre as duas cabeças de Janus, as duas grandes emanações da razão iluminista convertida em deidade secular, enquanto a Tradição, verdadeira inimiga de ambos, ausentava-se da ribalta histórica a partir de fins do século XVIII. A esse respeito, a famosa tese advogada pelo cientista político norte-americano Samuel Huntington a propósito da natureza do conflito central da contemporaneidade, cujo locus privilegiado seria a dicotomia Ocidente / Oriente, não passa de um espantalho, um 'cavalo de tróia', a ocultar, se calhar deliberadamente, a natureza essencial do conflito em tela, ou seja, que envolve o ressurgimento do ethos tradicional como força política atuante. Assim sendo, o antagonismo não é geográfico, nem tampouco político ou cultural; é, ao contrário, de índole ESPIRITUAL, no sentido mais profundo do termo.


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Tendo em vista o quadro de referência acima esboçado, o célebre '11 de Setembro' constitui, quero crer, uma manifestação concreta e inequívoca da 'revolta contra o mundo moderno' evoliana; e tal 'revolta' não é de forma alguma apanágio exclusivo do Oriente, tal como pretendem certos intérpretes ‘culturalistas’, mas se inscreve na esfera universal da TRADIÇÃO. Com efeito, a crença de que há uma dimensão superior ao mero devir temporal, de que o tempo, como diria Platão no Timeu, é apenas "a imagem móvel da Eternidade", alimenta o fulgor sagrado daqueles que se vêem investidos nas lides da guerra santa contra a pseudoconsciência fugaz e fragmentária da modernidade. Por um lado, a magnífica operação de jihad capitaneada por Sheykh Bin Laden demonstrou que a força impertérrita duma convicção ancestral pode superar o poder temporal do 'Reino da Quantidade', ou seja, que o pretensamente inexpugnável moloch não é invencível; e por outro, que é possível atuar politicamente no mundo contemporâneo sem submeter-se aos desígnios perecíveis do TEMPO, mas sim estando sob a égide rutilante da ETERNIDADE. O '11 de Setembro' é, portanto, uma demonstração cabal e insofismável de que toda a potência tecnológica e militar do 'Império’, onde a guerra é encarada tão somente como instrumento de acumulação de poder material, não pôde resistir à sempiterna e serena força daqueles que compreendem a guerra como esfera de realização espiritual e sublimação do que há de mais nobre e heróico na natureza humana. E mesmo que por ora tal pureza de convicção seja eventualmente apanágio de poucos, vale aqui rememorar a supina divisa de Santo Atanásio: “Se o mundo estiver contra a verdade, então Atanásio estará contra o mundo!”. Destarte, ao homem plenamente plena e visceralmente convicto da divina sabedoria das Leis Eternas não importa o vozerio fátuo e volúvel das multidões, pois ele detém o Caminho, enquanto todos os demais, plenos de orgulhosa insensatez e fátuas, ‘certezas’ fátuas, em verdade vagueiam perdidos por um orco de trevas.


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Impõe-se, neste momento, a seguinte indagação: por que as emproadas ‘democracias’ ocidentais manifestam tamanho temor em relação a movimentos como a Al Q’aida, o Hamas ou o Hizbollah? A resposta não passa apenas, como soem proclamar os corifeus da ‘guerra ao terror’ (pouco importa se ‘republicanos’ ou ‘democratas’), por meras questões de segurança e estratégia, mas atinge, na verdade, um plano muito mais recôndito e fatal, vale dizer, a terrível e generalizada crise que o Ocidente atravessa em praticamente todos os seus sistemas de crença. Decerto não falo aqui das hordas ignaras de sequazes do televangelismo, por exemplo, ou de outros opiáceos pseudoespirituais do mesmo jaez, mas sim das elites políticas e intelectuais do Ocidente, ou seja, daqueles que efetivamente têm nas mãos as rédeas de nossas 'democracias'. Ora, sabemos todos que nossas elites estão cada vez mais céticas, cada vez mais destituídas de qualquer convicção profunda, cada vez menos seguras de si mesmas; em contraposição à essa dinâmica, temos em figuras como Osamma Bin Laden um estado de certeza plena, peremptória e inexorável a propósito de seus mais recônditos desígnios. A modernidade vacilante, descrente de si mesma, irreversivelmente submetida à precariedade da lógica temporal, incapaz de gerar qualquer estratégia discursiva nova de legitimação, não pode vencer os que "combatem na Eternidade". Como diria mestre Dugin: "É o retorno dos Arcanjos, a ressurreição dos Heróis, a revolta do Coração contra a ditadura da Razão."


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É forçoso também fazer uma consideração sobre as eventuais ressalvas que certos vetustos senhores, muito ciosos da ‘pureza’ imaculada dos valores perenes da Tradição, levantam a propósito da ‘heterodoxia’ das concepções religiosas de Bin Laden... sejamos francos, meus caros: que importa se a 'teologia política' de Bin Laden é ou não 'ortodoxa'? O que importa é que ela reverbera, sim, valores tradicionais, sobretudo no que se refere à perspectiva de agir politicamente não em nome de circunstâncias transitórias, reivindicações conjunturais (de ordem classista, nacionalista ou regionalista) ou de valores puramente 'ideológicos', mas sim em nome d'uma esfera de transcendência que ultrapassa a História e o próprio Tempo para consubstanciar-se na Eternidade. Assim sendo, o exemplo de Bin Laden é válido como demonstração da força d'uma convicção transcendente contra os imperativos pragmáticos de poderes políticos em crise terminal de legitimidade. Seria, pois, de bom alvitre que os supracitados ‘custódios’ da Tradição lessem, ao menos por ora, mais Dugin e menos Guénon...


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Por fim, uma observação a propósito d’um aspecto pouco abordado, mas de grande relevância, a propósito de nosso personagem: muito embora o eixo de gravidade da formação ideológica de Bin Laden seja a leitura do Islã político feita por pensadores wahabbitas ‘heterodoxos’ (mormente os irmãos egípcios Sayyid e Muhammad Qutb, bem como o palestino Abdallah Azzam, todos militantes da Fraternidade Muçulmana), depreende-se claramente da leitura de seus textos que o Sheykh saudita está muitíssimo bem informado a respeito do pensamento político contemporâneo no Ocidente; destarte, através do emprego de certos termos, bem como da natureza de certas reflexões, encontramos os ecos d'uma ampla plêiade de pensadores: de Noam Chomsky a Samuel Huntington, passando por Francis Fukuyama, Anthony Giddens, Michael Parenti, Antonio Negri, Michael Hardt, etc. Bin Laden está plenamente equipado, portanto, para uma análise em alto nível da geopolítica mundial, lide a que amiúde se dedica com grande clareza, lucidez e descortino crítico, surpreendendo assim os que o têm na conta de um 'fanático' religioso primitivo.




SMETRAK! (D'aprés Mestre Lívio Tragtenberg)























"O fim da fala ainda não é o início do silêncio."

"(...) E vivemos numa época tão problemática e apocalíptica. É preciso uma orientação. Salve-se quem souber, porque poder, ninguém poderá mais."



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Bem, o que falar a propósito do suiço (radicado no Brasil desde 1937) Anton Walter Smetak (1913-1984), esse assombroso compositor, multiinstrumentista e xamã psicossônico? Tão somente este ano dediquei maior à atenção a seu legado, e tal experiência foi uma REVELAÇÃO, uma verdadeira EPIFANIA.

Há tempos, pois, excelsos confrades, venho laborando na cabeça um pedaço d'escrita em homenagem a esse gênio, e não conseguia redigir uma linha sequer... se calhar em virtude da constatação de que o efeito suscitado pela música de Smetak não se presta à descrição verbal ou, melhor dizendo, à expressão de significados através d'um ordenamento lógico-demonstrativo. À maneira do poeta russo Velimir Khlebnikov, que criou uma linguagem 'transmental' para expressar os infindos universos do inconsciente cósmico, a obra de Smetak se propaga através d'uma galáxia semântica suprarracional, onde o rigor das definições precisas e paradigmas conceituais não logra dar conta da multiplicidade de perspectivas envolvidas na formulação / execução da mesma.

Malgrado empregue procedimentos inovadores no âmbito da tradição ocidental (como o amplo uso da microtonalidades, por exemplo), a sensação que experimentamos ao ouvir o trabalho de Smetak é o inefável amálgama entre êxtase e horror sagrado que tão somente algo sobremaneira ARCANO, além da própria aurora das eras glaciais, e até mesmo fora do limites do TEMPO e do ESPAÇO, é capaz de conjurar. Suas composições, com efeito, parecem desenterrar os rumores abissais de sonoridades pré-históricas ocultas no 'coração das trevas' brasileiro, para então fundi-las em seu 'forno alquímico' com o que possa haver de mais ousado e surpreendente em termos de música experimental. 

Se há, pois, uma música que poderia ser classificada como 'ritualística', trata-se efetivamente da música smetakiana, ao transportar o ouvinte para dimensões ignotas, galáxias oníricas pairando no KOSMOS da Irrealidade, esferas transcendentes que o pensamento racional não pode abarcar.

Ficai, enfim, confrades, com alguns registros dos 'instrumentos-escultura' / 'plásticas sonoras' criados por Smetak:









































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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

quinta-feira, outubro 01, 2009

Breve nota a propósito da venerável nação japonesa





































Ó áticos armígeros:

Gostaria hoje de falar-vos a propósito do brundúsio labéu que há já mais de cinco décadas avilta a História do outrora indômito e altaneiro 'Arquipélago do Sol Nascente’: o ignominioso estado de submissão no tocante aos EUA, como se um reles cão fosse, o rabo abanando e as mãos do dono lambendo.

Trágico, oprobrioso fado para essa nação de extraordinárias tradições (a arcana sabedoria das doutrinas shintō e zen / a mirífica sutileza de seus haikai /as diáfanas, quase celestinas texturas da pintura suibokuga) e feitos memoráveis ( tais como as vitórias da Marinha Imperial japonesa em Port Arthur e Tsushima , por exemplo, ambas por ocasião da guerra russo-japonesa de 1904 / 1905, triunfos veramente magníficos, até hoje admirados e estudados em História Militar; pátria da a um só tempo serena disposição d'alma e vigorosa disciplina militar do Bushidō (武士道); berço de Yamamoto Tsunetomo, Miyamoto Musashi, Matsuo Bashō, Sadao Araki, Kita Ikki, Hiroyoshi Nishizawa, Hideki Tōjō e tantos outros insignes próceres, guerreiros, pensadores e poetas, que com tanta nobreza, honradez e galhardia, à perfeição encarnaram a 'Aristocracia do Espírito' preconizada por Ernst Jünger e Julius Evola...

Toda esta miríade de glórias e lauréis hodiernamente reduzida a que? À reles condição de fabriqueta de estúpidas quinquilharias eletrônicas, onde o que antes era comprometimento existencial e férrea têmpera é hoje, em clave meramente protocolar, simbolismo vazio de significados e vulgar pantomima sem real substância.

Ominosa também, a meu ver, a sempiterna rivalidade existente entre Japão e China, se calhar a mais visceralmente trágica, absurda e estúpida cizânia entre duas nações em toda a História... Santo Cristo, espiritual e culturalmente o Japão é um rebento do 'Império do Centro', e se irmanados estivessem, ah!, fariam estremecer a própria superfície da Terra! Destarte, confrades, a primeiríssima coisa que chineses e japoneses deveriam fazer era arquivar d'uma vez por todas esse trágico e estólido dissenso milenar, tendo em vista a existência d'uma unidade primordial entre ambos, algo que transcende a índole transitiva da História para plasmar-se na Eternidade dos arquétipos e símbolos arcanos.

Há, pois, que passar da geopolítica para a 'geografia sagrada', da superfície dos eventos efêmeros para as águas profundas da Tradição, com o óbvio contributo do que há de positivo na ciência e na tecnologia. Eis, vale dizer, a essência supina da GRANDE SÍNTESE.

Enfim, excelsos irmãos d’armas, se devidamente equipado em termos de armamento moderno, e com sua casta militar novamente imbuída das excelsas tradições do Bushidō, o Arquipélago do Sol Nascente tornar-se-á uma força temível.

Oxalá um dia o Japão possa reencontrar o augusto destino que lhe cabe no concerto das nações...!

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Por fim, ínclitos irmãos d'armas, vede que portento de coragem, nobreza d'alma e espírito marcial constitui o Código de Honra dos samurais, que integra a tradição do 武士道 desde o século XII:

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais.

Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.

Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.

Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.

Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.

Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.

Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.

Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.

Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.

Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.

Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha
estratégia.

Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos.

Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.

Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.

Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.

Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.

Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.

Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.

Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.

Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.






















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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

quinta-feira, setembro 24, 2009

Bravo, Mahmoud Ahmadinejad!!! - IV




President Mahmoud Ahmadinejad says the Israeli regime is committing "genocide" against the Palestinian people

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"How can one imagine that the inhumane policies in Palestine may continue to force the entire population of a country out of their homeland for more than 60 years by resorting to force and coercion; to attack them with all types of arms and even prohibited weapons," Ahmadinejad said at the 64th UN General Assembly on Wednesday.

To the chagrin of the international community, the occupiers are called "peace-lovers", Ahmadinejad said, hinting at Israel.

"How can the crimes of the occupiers against defenseless women and children and destruction of their homes, farms, hospitals and schools be supported unconditionally by certain governments, and at the same time, the oppressed men and women be subject to genocide and heaviest economic blockade being denied of their basic needs, food, water and medicine," the Iranian President stated.

"They (Palestinians) are not even allowed to rebuild their homes which were destroyed during the 22-day barbaric attacks by the Zionist regime while the winter is approaching. Whereas the aggressors and their supporters deceitfully continue their rhetoric in defense of human rights in order to put others under pressure," Ahmadinejad said.

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BRAVO, Ahmadinejad, BRAVO!!! Mais uma vez o egrégio presidente iraniano, desta feita na tribuna da Assembléia Geral da ONU, teve a ombridade de denunciar os crimes contra a Humanidade perpetrados pelo horror sionista; e, mais uma vez, as 'galinholas diplomáticas' das 'democracias' ocidentais (EUA, Alemanha, França, Dinamarca, Itália, etc.) saíram esbaforidas e soltando penas, sem coragem e decência para escutar a VERDADE.


MORTE AO MOLOCH SIONISTA!!!

VIVA A REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃ!!!





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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

domingo, setembro 20, 2009

Roman von Ungern-Sternberg: 'a Morte como FÉ, não como temor!'

Alphonse van Worden - 1750 AD

*Uma vez mais em caráter de todo excepcional, ora publicaremos outro escrito de lavra alheia: meu dileto irmão d'armas Rafael Daher, ínclito guerreiro das hostes da ETERNIDADE na guerra cósmica contra as nefárias hordas do TEMPO.

Trata-se d'um breve, malgrado precioso, perfil a propósito de uma das figuras mais enigmáticas e fascinantes do século XX: o Barão Roman Nickolai Maximilian von Ungern-Sternberg (1886 - 1921); de família oriunda da aristocracia alemã radicada no Báltico, Ungern-Sternberg foi militar do Exército Imperial Russo, e lutou ao lado das forças 'brancas' na guerra civil que se seguiu ao triunfo da revolução bolchevique.



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Dizem que o Barão Ungern-Sternberg “vivia num mundo mágico”. Homem de comportamento contraditório e delirante, Ungern-Sternberg simboliza como poucos o ideal de “monge guerreiro sonhador”, mais tarde idealizado pela Guarda de Ferro do mártir Corneliu Codreanu. O general Wrangel*, que teve o barão como de um seus comandados, o descreveu como um soldado sedento por sangue, um verdadeiro caçador de homens.

Com base numa mistura entre Cristianismo Oriental, Budismo e crenças típicas dos povos da Ásia, o Barão criou uma doutrina singular sobre o karma e os destinos da humanidade, bem como seu ideal de criar um Império Pan-Asiático para resistir ao que ele considerava o ápice da degeneração do final de ciclo – o bolchevismo.

A herança principal que o Barão nos deixou é a seguinte: a do homem que permaneceu de pé entre as ruínas, e que lutou até o final da vida contra a degeneração, através de uma coragem e sede de sangue que eliminaram de seu ego todo rastro de humanidade, sentimentalismo e racionalismo, pois o que lhe interessava era o novo mundo em que ele já vivia, pois o combate neste aqui não passa de um espelho da batalha do Arcanjo Miguel contra Lúcifer; uma vida, enfim, que passa pelo Left Hand Path, definido pelo portentoso Alexander Dugin como o caminho do sofrimento, do drama, destruição, fúria, violência, o caminho onde tudo parece ruim – mas que é, ao fim e ao cabo, o único caminho real, seguido pela glória e imortalidade.



* Barão Pyotr Nikolayevich Wrangel (1878 - 1928), um dos principais comandantes da 'Rússia Branca' durante a guerra civil.

terça-feira, setembro 01, 2009

A Cruz e a Espada: Por uma nova síntese entre Ecclesia e Imperium

Alphonse van Worden - 1750 AD







É cada vez mais premente, preclaros confrades, a necessidade de regenerar espiritualmente a Cristandade; e, para tanto, a Europa é o princípio de tudo: à leste, sob o primado do Patriarca de Moscou; à oeste, sob a égide do Sumo Pontífice de Roma.

E tal mister não é uma preocupação recente, saliente-se: autores como TS Eliot e Chesterton, por exemplo, no século XX; Solovyov e Dostoyevsky, na segunda metade do século XIX; e anteriormente, homens como Joseph de Maistre e Donoso Cortés, e outros mais, já haviam atentado para este importante tópico.

Não obstante, creio que o alemão Novalis, consoante já asseveramos n’outra feita, se calhar foi o autor que melhor sintetizou a essência da questão. Em A Cristandade ou a Europa (1799), notável peça de apologética cristã, Novalis advoga um retorno à Idade Média, cuja unidade harmônica poderia regenerar uma Europa convulsionada por dissensões políticas e religiosas; seria, pois, o caminho para o ‘reencantamento’ do mundo moderno, fragmentado e desprovido de um sentido maior. A noção de um ‘todo’ uno e coerente, ou seja, de uma cosmovisão capaz de articular de forma convergente e coesa as instâncias política, econômica, cultural e religiosa, bem como de conferir transcendência à vida social, é a perspectiva dominante neste escrito, consoante sua notável abertura nos revela: “Belos, esplêndidos tempos: a Europa era terra cristã, e a Cristandade habitava una este recanto de mundo humanamente configurado...”.

Assim sendo, o autor crê que a Europa deixara de ser um paraíso sobre a terra devido à evolução das relações comerciais, que gerou o esfacelamento do continente em vários estados nacionais beligerantes; e enquanto o continente não retornar à unidade transcendente em Cristo, Novalis, deveras sombrio, assevera que “o sangue correrá através da Europa”, sublinhando que apenas "a religião será capaz de ressuscitar a Europa, bem como de dar segurança a seu povo... e o resto do mundo aguarda pela ascensão e reconciliação da Europa, de maneira a somar-se a ela e assim ingressar no Paraíso”.

Destarte, a pergunta que se impõe é a seguinte: seria o ideal de Novalis, e de tantos outros ilustres autores, ainda plenamente realizável no mundo contemporâneo...? Decerto que não, mormente em termos de organização econômica, dada a extrema complexidade operacional dos mecanismos de gestão na atualidade, bem como o entrelaçamento dinâmico dos ativos financeiros em escala global; quero crer, todavia, que é algo parcialmente exeqüível como movimento cultural, e que, portanto, é possível pugnar por tal iniciativa, que seria não apenas sobremaneira salutar para o continente europeu, mas também para todos nós que, cultural e espiritualmente, somos herdeiros do Velho Mundo.

O grande busílis radica, contudo, na trágica incompreensão, por parte de muitos cristãos, de que tanto o socialismo quanto o liberalismo são tão somente as 'duas cabeças de Janus' do maior inimigo histórico da fé cristã: o iluminismo.

O movimento que tenho em mente deveria partir d'um esforço concreto, verdadeiramente efetivo, de convergência entre ortodoxos e católicos. Ora, as razões que conduziram ao Cisma de 1054 são hoje, em sua esmagadora maioria, questões históricas inteiramente mortas, ou então sutis bizantinismos teológicos que, sejamos francos, hoje só interessam à 'meia dúzia de três' doutíssimos nefelibatas.

Mesmo havendo um legado de incompreensões mútuas, de arestas a serem aparadas, é mister superar tais contenciosos em nome d'um móvel infinitamente mais importante: a preservação da Cristandade, isto é, do pilar central de nossa fé, de nossa cultura, de nosso próprio destino. O báratro em que estamos mergulhados, há que ter plena ciência disto, é profundo demais para ficarmos agora, com o perdão da rude expressão, a perder tempo com filigranas teológicas. Católicos e ortodoxos deveriam, de facto, marchar juntos, quer estejam 'formalmente' unidos ou não, contra o deletério legado iluminista.

Isto posto, é de meu talante discorrer a propósito das tribulações que envolvem , no que concerne ao móvel em tela, mais e especificamente a Igreja Católica.

Muito bem: a Igreja Católica parece ter paulatinamente perdido, a partir da segunda metade do século XIX, sobretudo, tanto a capacidade quanto a CORAGEM (o que é ainda pior!) de organizar-se e atuar politicamente de forma integrada, abrangente, incisiva. A Igreja está intimidada, acovardada... e o que é mais grave: assumiu compromissos obscuros e inconfessáveis com forças que vão inteiramente de encontro à essência da cosmovisão cristã. A Igreja sabe muito bem o quanto a modernidade lhe é hostil; não obstante, ao mesmo tempo, já foi cooptada pela 'Hidra Iluminista' em vários aspectos, os quais teme olhar de frente.

Assim sendo, as piores vicissitudes ocultam-se no âmago, no ventre da própria Igreja, que parece não ter mais genuína fé em si mesma. E se a Igreja tivesse noção da capacidade que, apesar de tudo, ainda detém, no imo de sua mais recôndita e primordial substância, de sacudir os alicerces do 'Reino da Quantidade'...!

No intuito, contudo, de tentar reverter tal tendência , de todo perniciosa, a Igreja deveria, em primeiríssimo lugar, reafirmar de forma cabal, visceral, inequívoca, incontrastável e insofismável, a absoluta incompatibilidade existente entre a essência da doutrina católica e as ideologias da Modernidade, ou seja, o liberalismo e o socialismo; o que, em outras palavras, significa dizer: 'capitalismo e comunismo, liberalismo e marxismo, não nos servem, não refletem a nossa fé, a nossa índole profunda, a nossa orientação moral, a nossa missão, o nosso destino!’.

Claro está que isto a princípio teria um efeito tão somente 'conceitual' em termos de ação política, algo d’alcance mormente doutrinário; tal iniciativa, porém, constituiria, tenham certeza, um grande ponto de inflexão, um verdadeiro divisor d'águas em termos de simbolismo político, filosófica e espiritual.

Não obstante, o que venho percebendo nos últimos lustros, mormente entre algumas seara de ‘tradicionalistas católicos', é uma notável disposição e galhardia na hora de condenar o marxismo, o socialismo, o comunismo, o anarquismo, etc... pois bem: mas e na hora de 'descer o sarrafo', em bom e castiço português, nas perversões do liberalismo, nas iniqüidades espirituais, morais e sociais do capitalismo, o que acontece com toda essa valentia e determinação? Simplesmente DESAPARECE, evapora , desintegra-se, e a grande maioria passa a portar-se como carneirinhos dóceis e submissos! Ora, que significa isso, se não uma desprezível manifestação de hipocrisia?!?

Prossigamos, contudo: em segundo lugar, ou seja, reiterada e proclamada, em alto e bom som, a TOTAL e DEFINITIVA ruptura da Igreja em relação às ideologias iluministas, deveria a Santa Madre dar início a um amplo, intenso processo de preparação para a ação política efetiva. Tal dinâmica passaria, claro está, pela releitura da vasta tradição da teologia política católica; pelo exame do catolicismo enquanto 'forma política' (Carl Schmitt) através dos séculos; pela retomada de velhas idéias ora olvidadas e, conseqüentemente, pela formulação de novas propostas a partir d'um saber acumulado per saecula saeculorum.

Que se repense, pois, em novas bases, isto é, tendo em vista o contexto hodierno, as idéias de Santo Agostinho, Eusébio de Cesaréia, Savonarola, Marsilio da Padova, William of Ockham, S. Tomás de Aquino e outros grandes teólogos que refletiram a propósito das relações entre IGREJA e ESTADO ou seja, entre os 'braços' espiritual e secular; a doutrina social da Igreja; a virilidade marcial dos gibelinos; a admirável 'engenharia administrativa' implementada por Santo Inácio de Loyola na Societas Iesu; o modelo 'distributivista' de Chesterton e Belloc; o 'princípio de subsidiariedade' proposto por Pio XI; etc., etc., etc., em suma, todo o riquíssimo legado de perspectivas teóricas e experiências históricas da Igreja na esfera da política, de maneira a descortinar novos horizontes de organização social que de facto encarnem legitimamente as doutrinas da Igreja. Enfim, há que 'colocar a cabeça para funcionar', ‘meter as mãos na massa’, envidar todos os esforços para salvar / restaurar o que for possível no que tange ao VERDADEIRO Ocidente.

E acrescento: hoje, mais do que nunca em sua História, a Igreja precisa ter a sabedoria incorporar o que houver de proveitoso nas grandes tradições gnósticas ocidentais (antes tão vilipendiadas e perseguidas), sobretudo pelo facto de terem acumulado um profundo legado de revolta messiânica contra a 'REALIDADE'.

Desnecessário sublinhar, creio eu, que há no mundo contemporâneo uma galáxia de transformações, deformações e disfunções irreversíveis; miríades de circunstâncias incontornáveis; que '"falar é fácil"; que "o papel aceita tudo"; etc., etc., etc... estamos, pois, plenamente cientes de todas as dificuldades, vicissitudes, obstáculos e ameaças em nossa jornada, sem dúvida... mas d'uma coisa, não obstante, temos plena certeza: o que em absoluto não mais pode ser tolerado é ver a Igreja assistir, de braços cruzados, inerte, se calhar já em estado de quase catatonia, à desintegração da civilização que Ela gerou. Há que recuperar, da maneira e na proporção em que for possível, a férrea disposição para a ação política que a Igreja já teve . Onde está, por exemplo, o fervor militante, o ímpeto marcial, a 'ira santa' de Santo Inácio de Loyola e sua excelsa ordem, os gloriosos 'soldados da Igreja'? É mister retomar esse espírito, mesmo que a princípio em plano meramente simbólico.

À guisa de encerramento, há que ainda tecer uma consideração: enganam-se, profunda e tragicamente, os que vêem na ascensão do Islã xiita uma ameaça à sobrevivência da civilização cristã; a verdade caminha precisamente em sentido contrário, aliás: uma Igreja revigorada, confiante, pejada de ânimo combativo, teria no Islã xiita um precioso aliado na revolta contra o mundo moderno. Devemos buscar um agir político que emerja do próprio imo da consciência religiosa; ou, melhor dizendo, um impulso de transformação social, cultural e espiritual que nasça não da razão política, mas dos postulados transcendentes da fé, que faça da religião um agir político, e vice-versa. Portanto, a despeito de quaisquer dissensões de âmbito doutrinário (que são múltiplas e inexoráveis, seria uma estultícia negá-lo), penso que a Igreja deveria estudar atentamente o eloqüente exemplo da Revolução Islâmica iraniana: com efeito, a liderança de Khomeini, a um só tempo demonstrando extrema sagacidade e fidelidade aos cânones de sua religião, não canalizou politicamente o Islã para fazer a revolução iraniana, ou seja, não fez uso da religião para agir politicamente, mas sim lançou mão da política para atuar religiosamente em prol da regeneração espiritual e moral de seu país.

Eis, enfim, ó irmãos d’armas, o cerne, o Alpha e o Omega de toda a questão!


I put a spell on you!!!





























Indubitavelmente uma das figuras mais insanas e extravagantes em toda a história da música pop norte-americana. Como seu epíteto decerto já nos tranfigura, Screamin' Jay Hawkwins guindou a tradição do shoutin' blues sulista aos mais extremos paroxismos de força expressiva e teatralidade maníaca. Com seu canto onomatopaico, pontuado por gritos, urros, gargalhadas, soluços, uivos, lamentos e imprecações diversas, o formidando negão conferiu às suas canções uma aura a um só tempo hilariante e alucinatória, mescla de feitiçaria voodo, deboche irrefreável e cartoon musical ambulante; acrescente-se a isso suas estapafúrdias letras sobre temas como bruxaria, possessão demoníaca, missas negras, canibalismo e sexo animal, de todo ultrajantes para a América moralista dos anos 50, bem como suas impagáveis performances ao vivo com velas, amuletos satânicos, caveiras flamejantes, caixões autênticos e outros 'exus' (isto pelo menos duas décadas antes de entidades como Alice Cooper, George Clinton ou Cramps!), e o resultado é um ícone verdadeiramente singular e imprescindível para os amantes do lado selvagem do rock'n'roll.

A coletânea em tela, Voodoo Jive: The Best of Screamin' Jay Hawkins, editada sob os auspícios da costumeira competência e bom gosto da Rhino Records, sem dúvida reúne o essencial de Hawkins: desde suas abstrusas versões para standards originalmente 'caretas' como I Love Paris (Cole Porter) e Person to Person (McCarthy, Monaco); passando por r&b's frenéticos como Little Demon, Just Don't Care, Yellow Coat e Move Me; até enfim chegar aos inclassificáveis cavalos de batalha do mestre, fundindo blues trovejante, psicose voodoo à beira de um ataque de nervos e putaria generalizada em maravilhas como Alligator Wine (cuja genial produção evoca a fauna dos bayous no deep south em meio ao desvario vocal de Hawkins), I Put a Spell on You (registrada com a banda totalmente alcoolizada), Frenzy (com a fera devidamente desatinada), (She Put The) Wamee (On Me) (uma das letras mais sacanas de todos os tempos), I Hear Voices (com todas as assombrações do mundo competindo em alopramento com o bluesman n'outra produção memorável), Feast of the Mau Mau (encenando um convescote de canibais numa das teatralizações mais cômicas e desarvoradas de sua carreira) e Constipation Blues (inacreditável sinfonia de espirros, escarradas e soluços em 'homenagem' à gripe!).







Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

quinta-feira, agosto 06, 2009

Bravo, Mahmoud Ahmadinejad!!! - III






Mahmoud Ahmadinejad a prêté serment devant le parlement iranien et le Coran sacré

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Téhéran.Irna. 05 Juillet 2009.
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Le président de la République Islamique d’Iran a prêté serment mercredi matin devant le parlement iranien pour un second mandat de quatre ans en présence du chef du pouvoir judiciaire et des membres du corps des Gardiens de la constitution.

Selon notre correspondant au parlement iranien, le chef de l’Etat a prêté serment devant le Coran et devant Dieu le très miséricordieux et le peuple iranien s’engageant à être le gardien de la religion officielle iranienne, du système de la République Islamique d’Iran et de la constitution du pays, de la développement de la morale, le défenseur de la justice, de la liberté et du respect des personnes et à faire respecter les droits que la constitution octroie à la nation iranienne ainsi qu’à mettre toutes ses aptitudes au service du peuple iranien et à répondre aux responsabilités qui lui incombe.

"Au nom de Dieu le très miséricordieux, moi, en tant que président de la République Islamique d'Iran, jure devant le Coran sacré, la nation iranienne et Dieu d'être le gardien de la religion officielle, de la République islamique et de la constitution", a-t-il déclaré lors de la cérémonie.

Mahmoud Ahmadinejad a promis que ce nouveau mandat de quatre ans serait «le début de changements importants en Iran et dans le monde».

«L'épopée de l'élection présidentielle du 12 juin est le début de changements importants en Iran et dans le monde». C'est avec ces mots que le président iranien a prêté serment mercredi, devant le Parlement.

"Nous résisterons face aux pays oppresseurs et nous allons continuer à agir pour changer les mécanismes discriminatoires dans le monde, au bénéfice de toutes les nations", a ajouté Mahmoud Ahmadinejad.

"Les pays occidentaux ont dit qu'ils reconnaissent les élections en Iran mais qu'ils n'enverraient pas de message de félicitations. Cela signifie qu'ils veulent la démocratie seulement pour leurs propres intérêts et ne respectent pas les droits des peuples", a-t-il estimé."Sachez qu'en Iran, personne n'attend vos messages de félicitations", a conclu le chef d’Etat iranien.

Mahmoud Ahmadinejad dispose désormais de deux semaines pour soumettre son gouvernement au parlement iranien en vue d'obtenir un vote de confiance.

Le président iranien a été confirmé dans ses fonctions lundi par le guide suprême, l'ayatollah Ali Khamenei.




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Parabéns ao grande presidente Mahmoud Ahmadinejad, que, reeleito pela esmagadora maioria do eleitorado iraniano, foi empossado ontem, em cerimônia no Majlis, para mais um mandato de 4 anos. Sob a égide da sábia liderança do Ayatullhah Khamenei, temos plena confiança, diletos irmãos d'armas, de que o governo Ahmadinejad continuará na vanguarda da luta antiimperialista contra os EUA e seus sequazes sionistas.


VIVA A REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃ!!!



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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

sábado, agosto 01, 2009

Notas de reflexão crítica XXI - a propósito da distinção central entre as cosmovisões OCIDENTAL e ORIENTAL

Alphonse van Worden - 1750 AD





- A distinção entre as visões de mundo OCIDENTAL e ORIENTAL consiste essencialmente da relação que ambas estabelecem a respeito do 'Problema do EU': o ethos ocidental caracteriza-se pela centralidade existencial do EU como sujeito agente e cognoscente, mesmo que, no plano das perspectivas transcendentes, à luz da inspiração e da inteligência divinas. Já nas metafísicas não-dualistas do Oriente, a própria existência material (o que obviamente inclui os indivíduos) é descrita como ilusão, e o objetivo precípuo da realização espiritual é o ‘esquecimento absoluto de si mesmo’ e a fusão no TODO.

- A tradicional distinção entre CONHECIMENTO e SABEDORIA já sublinha alguns aspectos dessa cisão oriente / ocidente, mas não esgota a questão. Vejamos: o mainstream, digamos assim, em termos de teoria do conhecimento na filosofia ocidental, contempla basicamente duas modalidades de cognição humana:


a) o conhecimento adquirido através da EXPERIÊNCIA, posteriormente sistematizado via generalização indutiva; é a forma de cognição que gera os enunciados sintéticos (ou apofânticos), ou seja, aqueles enunciados que afirmam ou negam alguma coisa sobre a realidade sensível, tal como as proposições científicas. Sua validade é determinada, pois, por intermédio de verificação empírica;

b) o conhecimento de conceitos abstratos via dedução racional. É essencialmente a modalidade de conhecimento que gera os enunciados analíticos, de índole tautológica (isto é, proposições verdadeiras por definição, cujo sentido permanece o mesmo sob diferentes arranjos de palavras ou símbolos). É, portanto, o conhecimento que corresponde ao universo lógico-matemático, cuja veracidade das proposições prescinde de verificação empírica.


- Outras 'formas' de conhecimento, claro está, foram abordadas por diversos autores através dos tempos: Aristóteles, por exemplo, afirma que a catarse trágica é uma experiência cognitiva; Spinoza sustenta que as paixões humanas também geram conhecimento; Bergson, por seu turno, que o ‘verdadeiro’ conhecimento surge a partir da ‘apreensão imediata do objeto’, vale dizer, do que irá denominar como ‘intuição do Absoluto’ de cada objeto, ou seja, do que ele possui de ‘único’, e que lhe é absolutamente intrínseco; e por aí vai, com 'n' outras perspectivas.

- Muito bem: no âmbito de uma cosmovisão transcendente, contudo, há algo que está além do conhecimento proporcionado pelo exercício da razão, bem como da cognição gerada por meio da experiência sensível; é, portanto, uma dimensão inalcançável tanto através da razão humana, quanto por intermédio de nossa experiência concreta. Trata-se exatamente da SABEDORIA, ou seja, daquilo que está além do intelecto e dos sentidos, é que só pode ser atingido sob os auspícios da inteligência divina; ou, em outras palavras, através da razão humana iluminada pela FÉ inspirada por Deus.

- Por outro lado, a leitura de QUALQUER texto-chave no âmbito das grandes tradições de índole não-dualista revela, de forma inequívoca e incontrastável, que o processo de 'realização espiritual' tem como meta derradeira a dissolução do EGO, que nada mais é que um feixe de ilusões, no UNO, que constitui a única e verdadeira REALIDADE.

- Considerem, por exemplo, o notável poema alegórico O Colóquio dos Pássaros (1177), de autoria do persa Farid al-Din Attar. Trata-se d'uma das obras clássicas da Irfan ('Sabedoria', 'Gnose') xiita, que é precisamente a tradição esotérica em que o ínclito Ayatullah Ruhollah Khomeini está inserido. O enredo é bem resumido pelo escritor Jorge Luis Borges:


“O remoto rei dos pássaros, o Simurg, deixa cair no Centro da China uma esplêndida pluma; os pássaros resolvem buscá-lo, fartos de sua antiga anarquia. (...); sabem que seu castelo está em Kaf, a montanha circular que rodeia a Terra. Acometem a infinita aventura: transpõem sete vales, ou mares; o nome do penúltimo é 'Vertigem'; o último se chama 'Aniquilamento'. Muitos peregrinos desertam; outros perecem. Trinta, purificados pelos trabalhos, pisam a montanha do Simurg. Contemplam-no, finalmente; e percebem que eles são o Simurg, e que o Simurg é cada um deles e todos."


- Reparem: a transposição de cada Vale constitui uma etapa no processo de depuração / purificação do espírito; e o último Vale, o do 'Aniquilamento', é justamente o ápice de tal processo, quando ocorre o derradeiro e definitivo esquecimento de si mesmo ou, em outras palavras, a obliteração final de todas as ilusões do EGO. E enfim, quando já de todo despojados de sua consciência individual (que nada mais é, em última instância, que o somatório de seus enganos), os 30 pássaros que lograram 'realizar-se espiritualmente' enfim descobrem que o Simurg (ou seja, o TODO, o UNO) é "CADA um deles e TODOS" e, analogamente, que cada um deles verdadeiramente não EXISTE (no sentido mais recôndito do termo) como 'parte', mas sim como TOTALIDADE.

- Trata-se, enfim, recuperando aqui uma bonita metáfora de Attar, um "perder-se de si mesmo" completa e definitivamente. É a consciência absoluta da UNIDADE, algo que de certo modo podemos até 'representar' conceitualmente, mas não propriamente 'CONHECER', e sim 'SABER', como experiência visceral, incomunicável e intransferível.

- Eis, portanto, para o esoterismo xiita (bem como para as doutrinas metafísicas não-dualistas do Vedanta, por exemplo), o que seria a essência da SABEDORIA: "perder-se de si mesmo" em caráter absoluto e definitivo, para então se dissolver na UNIDADE SUPREMA, na TOTALIDADE UNIVERSAL.





Breve nota a propósito de sir Alfred Joseph Hitchcock





Que dizer a respeito d’um artista que já foi objeto de toda sorte de escrutínio, lucubração, exegese e especulação? Difícil acrescentar algo de interessante ou relevante; não obstante, tendo em vista que as empreitadas mais árduas soem ser as mais gratificantes, creio que é válida a tentativa. Enfim, vamos lá!

Muito bem: malgrado sejam afirmações de todo procedentes, asseverar que Alfred Hitchcock é um ‘mestre do suspense’, ou que possui uma habilidade ímpar em manipular com acuidade cirúrgica os mais recônditos desvãos da psique do espectador, seria simplesmente, como reza o velho adágio popular, “chover no molhado”; assim sendo, gostaria de ressaltar aqui outro aspecto, igualmente fundamental, na obra do cineasta inglês.

Quando ainda era crítico da Cahiers du Cinema, Jean-Luc Godard certa feita escreveu que Alfred Hitchcock era “o mais alemão dos cineastas ocidentais”. Trata-se, vale dizer, d’um juízo sobremaneira críptico, ao menos à partida: estaria o diretor franco-suíço ironicamente afirmando, por exemplo, que tão somente o cinema anglo-americano poderia ser tido como ‘ocidental’? Apenas conjecturo, todavia.


Não obstante, há na observação godardiana um dado deveras significativo, ainda que se calhar menos enfatizado quando se fala a propósito do venerável Hitch: caudatário das melhores tradições do cinema expressionista alemão, o opus hitchcockiano é uma verdadeira aula magna em termos de requinte formal e elegância estrutural. 

Considere-se por exemplo a obra-prima Strangers on a Train (1951):  seus planos são virtuosos, plenos de geométrica exatidão; os enquadramentos, muito embora dotados d’um rigor milimétrico, não raro assombram o público com angulações inusitadas e vertiginosas - como esquecer, por exemplo, a assombrosa sequência do assassinato no parque de diversões; a montagem, vero relógio atômico em termos de precisão, ajusta-se com inacreditável perfeição às exigências da narrativa; o espectral chiaroscuro da fotografia logra evocar a ominosa fantasmagoria dos melhores momentos de um Murnau; a câmara, por fim, como se fosse o finíssimo estilo de bambu nas mãos de um calígrafo nipônico, esparge na tela silhuetas, texturas e matizes de refinada fatura.

Celebremos, pois, a figura de Alfred Hitchcock, esse “pintor de pesadelos vivos” (como admiravelmente escreve o sociólogo franco-brasileiro Michael Löwy, a respeito de Kafka), criador genial tanto na arte de suscitar no público seus temores mais abissais, quanto no exercício do cinema como veículo de transcendência estética.

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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

quarta-feira, julho 01, 2009

Esquerda contemporânea: entre a FARSA e o AUTISMO

Alphonse van Worden - 1750 AD




Egrégios irmãos d'armas:

A grande tragédia, a verdadeira MALDIÇÃO que tomou conta de grande parte da esquerda contemporânea, pode ser definida da seguinte maneira: a demoníaca ideologia globalista, com toda a sua crença no governo mundial, nas intervenções 'humanitárias' (a piada do século, sem sombra de dúvida), na atuação das ONG's, enfim, em toda essa tralha escabrosa, contaminou, se calhar de modo indelével, os corações e mentes da 'esquerda' nos tempos que correm.

Ora, qualquer cidadão com um mínimo de lucidez (e mesmo os conservadores honestos sabem muito bem disso, que ninguém se equivoque a esse respeito...) percebe que a ideologia globalista não passa d'uma bem articulada cortina de fumaça criada para ocultar dois propósitos muito objetivos e insofismáveis:


a) garantir a liberdade de ação do grande capital financeiro, já que hoje há um entrelaçamento dinâmico e contínuo entre todos os mercados; assim sendo, nada como uma intervenção 'humanitária' para restaurar a 'boa vontade' de uma nação que, por acaso, teve a audácia de não conformar-se às maravilhas do livre mercado;

b) promover  a difusão maciça e sistemática de todos os valores dissolventes que caracterizam a nebulosa ideológica da modernidade, tais como multiculturalismo, relativismo, queer theory, feminismo, discriminação positiva, correção política, etc.


Ou seja: trata-se d'um projeto de índole profundamente imperialista e reaccionária; mas que, contudo, muito bem embalado pelo sedutor canto da sereia 'póóóóish-modéééérna', hipnotizou uma esquerda emasculada, desorientada, e que, há pelo menos três décadas, já abdicara por completo de sua grande tarefa histórica: a abolição do Capitalismo.

Destarte, o que agora temos é um contínuo showroom de sedativos ideológicos, todos eles alegremente ingeridos pela 'esquerda moderna': 'ações afirmativas'; 'ação da sociedade civil organizada'; 'intervenções humanitárias'; 'trabalho voluntário'; etc., etc., etc., todos eles criados e difundidos com um único e nefasto móvel: paulatinamente alienar os partidos e movimentos de esquerda de seu objetivo precípuo, vale dizer, tomar de assalto o aparelho do Estado para dar início à construção d'um novo modelo de organização social.

Então, o que está em pauta pelo menos desde a década de 90 do século XX é toda uma dinâmica, muitíssima bem urdida, planejada, articulada e propagada, para desmoralizar o papel do Estado como indutor por excelência de qualquer processo efetivo de transformação social. Assim sendo, eis os temas dessa pérfida cantilena: 'Quem precisa do Estado? 'Qual nada, a ação da sociedade civil organizada resolve tudo!'; 'Soberania nacional? 'Bah, uma velharia inaceitável, a ONU e as ONGs têm o sagrado dever de implementar ações humanitárias em nações governadas por regimes tirânicos e desumanos!' (ou seja, o velho "fardo do Homem Branco" de Kipling reembalado em cores vistosas para a 'esquerda' tutti-frutti); 'despertar nas massas o ímpeto revolucionário? 'Não, imagina, tudo pode ser resolvido com as ações solidárias do trabalho voluntário!'; e por aí vai, tudo com o intuito de entorpecer / enfraquecer / desestimular / desmoralizar qualquer esforço em prol de projetos de transformação social genuinamente revolucionários e efetivos.

Podemos asseverar, enfim, sem qualquer hesitação, que o processo de deterioração intelectual, moral e política das esquerdas nas últimas décadas assumiu uma intensidade assombrosa, mormente a partir do colapso da URSS em 1991.

E um aspecto particularmente emblemático do supracitado fenômeno é, sem sombra dúvida, este heteróclito e estrambótico circo de cavalinhos chamado Fórum Social Mundial.

Prezados confrades, o que seria o Fórum Social Mundial? Uma ridícula pantomima onde todos em uníssono proclamam que "um outro mundo é possível", mas nada de realmente CONCRETO levam a efeito para colocar tal ideal em prática? Um colossal desfile de miríades de movimentos sociais, cada qual trombeteando aos quatro ventos sua pauta específica, numa caótica Babel de slogans não raro antagônicos? Uma espécie de anestésico, lenitivo moral, para apaziguar a consciência culpada de burgueses angustiados (grande parte da esquerda universitária inclusa), conferindo-lhes a doce ilusão de estarem contribuindo para um 'mundo melhor'? Um bom palco para políticos matreiros venderem seu peixe? Ou tudo isso e mais alguma coisa, enfim, um frenesi de idéias e sentimentos pré-fabricados, que partem de coisa alguma para chegar a lugar nenhum?

Muito bem: é justamente essa risível 'esquerda bubblegum fórum social mundial', ou seja, essa farândola de farsantes, que ainda tem o desplante de verberar contra os movimentos Terza Posizione / 4tp, ou seja, a única corrente política contemporânea engajada num amplo processo de refundar a ação política em bases verdadeiramente novas e revolucionárias!

Abordando a outra faceta desse fenômeno, consideremos agora as organizações de esquerda que ainda mantêm certa fidelidade ao ideário revolucionário d’outrora. Enquanto o oportunismo a todo pano é a marca registrada da esquerda circense, a característica mais lôbrega nos bastiões da esquerda tradicional é a flagrante incapacidade de romper com o rigor mortis dos esquematismos ideológicos, com a fixidez estéril dos dogmatismos monocromáticos. É sobremaneira trágico, vale sublinhar, que tais setores não entendam o seguinte: admirar / advogar uma determinada característica / elemento de uma corrente ou regime político, NÃO significa que sejamos obrigados a inexorável e necessariamente comprar o pacote completo da perspectiva ideológica adjacente, tal como se fosse um vestido prêt-à-porter.

Assim sendo, é possível apreciar, por exemplo, e não temos o menor pejo em negá-lo, certos aspectos do fascismo italiano, mormente no que se refere à sua incorporação da distinção soreliana entre as noções de 'mito' (numa acepção político-ideológica do termo) e 'utopia' (ideal). O 'mito revolucionário' funcionaria como profecia autorrealizável, no sentido de não depender de fatores transcendentes para ser levado a efeito; a meu ver, Mussolini percebeu essa questão com impressionante perspicácia; podemos também admirar, na mesma clave do espectro ideológico, o ‘Código de Honra’ da Legiunea Arhanghelul Mihail de Corneliu Codreanu, bem como seu programa de reforma agrária, inspirado na noção da gemeinschaft rural unitária e orgânica; e, outrossim, igualmente advogar, já noutra clave, as idéias do marxista peruano José Carlos Mariátegui a respeito da Revolução Social, que para ele não é fenômeno que se possa interpretar mediante uma análise científica, uma vez que não pode ser compreendido à luz dos pressupostos epistemológicos e metodológicos da razão lógico-demonstrativa; ao contrário, afigura-se muito mais como fenômeno de cunho mítico-religioso, impermeável a abordagens racionalistas.

E assim devemos seguir em frente, de mente, olhos e ouvidos abertos para o que houver de profícuo em cada corrente do pensamento político, à esquerda e à direita, na luta contra o capitalismo, o liberalismo e toda a nebulosa ideológica por trás da ‘Sociedade Aberta’.

É mister compreender, d’uma vez por todas, que os sistemas ideológicos fechados (comunismo, socialismo, anarquismo, fascismo, liberalismo, etc.) fracassaram redondamente, e já não correspondem às demandas e tarefas do presente. Há, portanto, que refundar todo o agir político em novas bases, incorporando o que há de aproveitável em cada perspectiva e descartando o restante. Ou será que a esquerda ainda dotada d’algum lastro ideológico minimamente consistente prefere proceder como uma horda de autistas, aprisionados no labirinto do automatismo psíquico, classificando a priori, sem o devido exercício da análise crítica, ‘y é bom / x é ruim / z é bom / a é ruim’. E isso o que efetivamente desejam, isto é, permanecer ad aeternum como zumbis, a vagar sem rumo por uma planície estéril, pejada de ruínas ideológicas do passado? Cito aqui uma instância de tal paralisia mental: bovinamente atrelados a uma agenda iluminista e libertária, já de todo prostituída pelas engrenagens de pasteurização ideológica do capitalismo contemporâneo, recusam-se a admitir o importantíssimo papel revolucionário desempenho pelo antiimperialismo da República Islâmica do Irã no contexto geopolítico hodierno. Como, pois, é possível admitir que qualquer indivíduo soi disant de esquerda,e que se pretenda minimamente bem-informado, desconheça o patente protagonismo de figuras como Mahmoud Ahmadinejad, Ali Khamenei, Hassan Nasrallah, Muqtadā al-Ṣadr, Khaled Meshaal, etc. no seio da luta antiimperialista em escala global?

Por fim, à guisa de conclusão, proponho aos confrades um breve exercício especulativo: se há já muitos lustros não temem a pantomima revolucionária da esquerda tradicional, os senhores acreditam, por exemplo, que um Barack Obama; uma Hillary Clinton; o diretor da CIA; os comandantes do Pentágono e da OTAN; um Benjamin Netanyahu; um Nicholas Sarkozy; uma Angela Merkel; os grandes empresários ou investidores internacionais; enfim, que qualquer liderança política, militar ou econômica do sistema de poder internacional, perca sequer MEIO SEGUNDO de sono preocupado com as ações dessa esquerda emasculada; siderada pelas ficções retóricas do humanismo iluminista; mais entretida em sair rebolando por aí em paradas gay, a fim de celebrar o sacrossanto direito dos homossexuais em dar o rabo, do que em formular novas táticas de ação revolucionária; de todo submissa, enfim, aos desígnios estratégicos do Capital, cujo principal talante hoje é enfraquecer a capacidade de atuação do Estado em nome do conveniente e inofensivo teatrinho de reivindicações da 'sociedade civil organizada'?



segunda-feira, junho 29, 2009

Acabou-se, enfim, D'UMA VEZ POR TODAS, a palhaçada golpista!!!

Alphonse van Worden - 1750 AD





Recontagem parcial de votos confirma eleição de Ahmadinejad 

TEERÃ, 29 Jun 2009 (AFP) - O Conselho de Guardiães da Constituição confirmou nesta segunda-feira os resultados das eleições presidenciais de 12 de junho no Irã e a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, depois da recontagem parcial dos votos, informou a televisão pública iraniana.


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Iran's Guardian Council confirms vote results

After the conclusion of the partial vote recount, Iran's electoral watchdog, the Guardian Council has confirmed the result of the June 12 poll.

After the announcement of the result of Iran's presidential election, which saw President Mahmoud Ahmadinejad re-elected to a second four-year term, provoked major protests in the country, the Guardian Council set up a special committee to do a partial vote recount.

Iran's top legislative body confirmed that the recount of 10 percent of the ballot boxes carried out on Monday had shown no irregularities in the vote.

In a letter to Interior Minister Sadeq Mahsouli on Monday, head of the Guardian Council Ayatollah Ahmad Jannati, confirmed the result of the polls, state television reported.



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E 'fim de papo', famígeros irmãos d'armas: Mahmoud Ahmadinejad é o LEGÍTIMO presidente reeleito da República Islâmica do Irã, e agora cabe aos envenenadores da consciência pública (leia-se a soi disant 'oposição') conformar-se, ou então enfrentar todo o rigor da Lei!


VIVA A REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃ!!!

VIVA O NOVO TRIUNFO DA REVOLUÇÃO!!!

VIVA MAHMOUD AHMADINEJAD!!!




sexta-feira, junho 19, 2009

Bravo, Ayatullah Khamenei!!!




Líder supremo do Irã descarta fraude e diz que eleição reflete vontade do povo

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O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, descartou que houve fraude nas eleições que recolocaram o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad na Presidência e afirmou que o resultado da votação reflete a vontade do povo. A oposição acusa o atual presidente de fraudar a disputa para ser reeleito.

Falando a milhares de pessoas na Universidade de Teerã, o líder supremo iraniano apoiou Ahmadinejad afirmando que o político obteve uma "vitória definitiva" nas urnas.

Khamenei destacou que Ahmadinejad foi eleito com 24 milhões de votos e que as opiniões do presidente são mais próximas das idéias dele.

Para o aiatolá, o "terremoto político" nas eleições de 12 de junho foi causada pela interferência dos "inimigos do Islã".

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Bravo, Khamenei, bravo!!! O ínclito Ayatullah discursou com a autoridade, firmeza e consciência que se esperam de um Líder Supremo, não só confirmando a insofismável vitória eleitoral de Mahmoud Ahmadinejad, mas também afirmando tacitamente que tamanho triunfo expressão profunda e autêntica da vontade soberana da nação iraniana.

O excelso Maghame Rahbari também reafirmou suas afinidades ideológicas com o presidente eleito, demonstrando que as principais lideranças políticas do país atuam em harmonia, ao contrário das patranhas difundidas pelos envenenadores da consciência pública, locais e internacionais.

Por fim, em declaração a meu juízo de grande importância e acerto, atribuiu à “interferência dos “inimigos do Islã” os criminosos atos contra a ordem pública perpetrados por hordas de marginais nos últimos dias. Além do traidor da pátria Moussavi e seus sequazes, creio que a severa advertência teve também um destinatário certo: o corrupto e traiçoeiro Ayatollah Hashemi Rafsanjani, verdadeiro ‘sumo sacerdote’ das elites iranianas, bem como um dos mais pérfidos agentes deste processo golpista, encetado pela ‘oposição’, de desestabilização do regime, processo esse que, se Deus quiser, logo será definitivamente esmagado.

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Em tempo: Gostaria também de ressaltar aqui o belíssimo, comovente desfecho deste histórico pronunciamento emitido hoje pelo Líder Supremo da República Islâmica do Irã:

We will do what we will have to do. I have an unworthy life, a defective body and little honor, which was given to me by you. I will put all of these on the palm of my hand and spend them on the path of the revolution and Islam.

Eis, meus caros confrades, o estofo de um verdadeiro LÍDER: 1) a capacidade de perceber que os princípios e ideais que orientam uma nação são muito mais importantes que qualquer de seus governantes; 2) a férrea disposição de lutar até o fim, com todos os meios à sua disposição, em defesa da virtude, da justiça, da verdade e do bem do povo.

Parabéns, Ayatullah Sayyid Ali Hoseyni Khāmenei, pois hoje definitivamente demonstraste ser um vero GIGANTE em meio ao enxame de insetos rastejantes que tragicamente governam grande parte das nações em nosso desafortunado planeta.


VIVA A REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃ!!!



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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros

quarta-feira, junho 17, 2009

Bravo, Mahmoud Ahmadinejad!!! - II

Alphonse van Worden - 1750 AD




Confrades:

Enquanto uma odiosa minoria de marginais teleguiados por interesses exógenos tenta perturbar a ordem pública na República Islâmica do Irã, o LEGÍTIMO presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, reeleito através de CONSAGRADORA vitória no último dia 12, compareceu normalmente à reunião de cúpola da OCS (Organização de Cooperação de Shangai, onde fez uma análise das mais pertinentes a propósito da atual conjuntura internacional.

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Na Rússia, Ahmadinejad diz que "era dos impérios acabou"

EKATERINBURGO - "A Era dos Impérios acabou", afirmou o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad na reunião de cúpula da Organização da Cooperação de Xangai, que acontece na cidade russa de Ekaterinburgo.

"A ordem capitalista internacional está se dobrando", afirmou Ahmadinejad na abertura da reunião do grupo integrado pela Rússia, China e países da Ásia central. "É evidente que a era dos impérios acabou e não voltará a renascer", acrescentou.

Ahmadinejad assiste à cúpula realizada na cidade russa de Yekaterimburgo, nos Urais, como observador, junto com os presidentes do Afeganistão e do Paquistão, o primeiro-ministro da Índia e um enviado mongol.

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Bravo, Ahmadinejad! 'Bravo!' uma vez mais, por proclamar a verdade de forma límpida e corajosa: a 'era dos impérios' realmente terminou, e nada do que essas entidades satânicas possam fazer, inclusive açulando contra o regime hordas de traidores da pátria, poderá desestabilizar a gloriosa República Islâmica do Irã!

domingo, junho 14, 2009

Celebremos, irmãos d'armas!!!







Assomam-me aos olhos veras lágrimas de intenso júbilo, diletos confrades, ao testemunhar este mirífico acontecimento histórico que foi a AVASSALADORA, verdadeiramente CONSAGRADORA vitória obtida ontem por Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais iranianas. Sufragado por 62,63% dos votos válidos, o presidente reeleito logrou um triunfo que não pertence apenas a ele, mas sim à toda a Ummah iraniana, amplamente favorável aos gloriosos e justos ideais que pautaram a Revolução Islâmica liderada pelo ínclito Ayatulllah Ruhollah Khomeini. Consoante esplendidamente sintetizou o Líder Supremo, Ayatullah Ali Khamenei: "sejamos gratos por essa bênção divina."

Verificamos, pois, com inenarrável gáudio, que hoje, 30 anos após a consolidação do processo revolucionário islâmica, o rutilante legado de Khomeini permanece incólume: o sábio Ayatollah Khamenei, os demais clérigos e juristas do Conselho dos Guardiães e da Assembléia dos Estudiosos, bem como o presidente Ahmadinejad, governam o país fervorosamente imbuídos do mesmos princípios acalentados pelo saudoso líder falecido em 1989.

Destarte, a República Islâmica do Irã há 3 décadas representa, e continuará a representar, um refulgente farol para todas as noções oprimidas pelas iniqüidades políticas econômicas do sistema imperialista internacional, enfim, um magnífico exemplo, um notável modelo alternativo de indômita altivez, impertérrita soberania e desenvolvimento nacional.

Por fim, às corruptas ratazanas 'reformistas', aos envenenadores da consciência pública, aos capitulacionistas e traidores da pátria, aos ingênuos e insensatos moutons de Panurge teleguiados pela mídia ocidental, resta agora, em respeito às palavras do Líder Supremo, submeter-se, por bem ou por mal, à decisão tomada pela esmagadora maioria do povo iraniano em prol das notáveis conquistas da Revolução Islâmica.

GLÓRIA ETERNA À REPÚBLICA ISLÂMICA DO IRÃ!!!

VIVA O ABENÇOADO AYTULLAH ALI KHAMENEI!!!

VIVA O GRANDE PRESIDENTE MAHMOUD AHMADINEJAD!!!







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Ten. Giovanni Drogo

Forte Bastiani

Fronteira Norte - Deserto dos Tártaros